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MUSEU POÇO COMPRIDO CONVIDA
Tombado pelo IPHAN, o Engenho Poço Comprido é referência em preservação desde que passou a ser administrado pela AFAV. O patrimônio reúne um conjunto arquitetônico sui generis que aguça a imaginação dos visitantes. O engenho situa-se no Vale do Siriji, faixa meridional a capitania de Itamaracá, não tão emblemática como a sua vizinha Pernambuco, fato este só veio a ser povoada a partir de 1760 (fatores administrativos levaram ela ao atraso). Historicamente é importante por ter sido palco de uma importante reunião de reorganização estratégia ante os fracassos que os revoltosos da confederação do equador tiveram em Recife e Paraíba do Norte sob a liderança de Frei Caneca. Agregando valores ao monumento, a saber, ele é o único engenho de características tão marcantes remanescente do século XVIII em Pernambuco. No entanto falar do Poço Comprido é tratar da luta que a AFAV trava constantemente com o IPHAN para manter esse tesouro arquitetônico do período açucareiro de pé. E essa batalha ante as intempéries governamentais será debatido na 12ª Semana dos Museus na forma de seminário cujo tema você ver no convite exposto aos interessados. Sabendo do valor histórico-cultural que Poço Comprido tem para a região provoca-se aos municípios adjacentes que mobilize sua comunidade para reivindicar respeito aos patrimônios que ainda resistem de pé, mas sabendo que amanhã não poderão mais estar lá; que reivindique o movimento cultural que você ouviu sua avó contar que é algo do tempo de criança dela, mas está morrendo pelo esquecimento, pela falta de incentivo e de pertença àquelas práticas, a falta de identidade. Sua presença marcará positivamente a causa e enriquecerá o debate. É hora de falar de identidade, falar do nosso povo, da gente. Poço comprido é fruto de uma luta coletiva, de pessoas que acreditaram que a memória era importante e a AFAV é peça importante na conquista. Traga seu patrimônio para o centro do debate, discuta.
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21 de abr. de 2014
Postado por
UENES GOMES
JÁ FOI MUGUNGA, MAS NUNCA UNIÃO. A DICOTOMIA DA ORIGEM DO NOME DA VILA SIRIJI
Por UENES GOMES BARBOSA.
Graduando em História FFPG - PE
Graduando em História FFPG - PE
Quem são os fundadores de Siriji? O distrito mais importante de São Vicente Férrer ao longo todos estes anos sempre procurou sua identidade. Seja nos engenhos, no nome do seu rio, no seio do seu povo - na maioria descendentes de africanos que trabalharam escravizados nos engenhos da região -, e porque não dialogando com outros municípios? É sabido que todo município criado é oriundo de um outro, denominado "município mãe" ou no caso do Siriji seria "pai"? Colocando o nosso distrito numa linha genealógico tratar-se-ia Siriji neta de Limoeiro e filha do Bom Jardim, mas deixemos isto de lado e vamos ao que realmente cabe esta postagem inaugural sobre minha região. A Vila Siriji, nos tempos do limoeiro não se chamava assim, tampouco União como vai se encontrar nos livros encomendados e escritos pela elite vicentina. Creio que há um problema com relação ao primeiro nome deste lugarejo - aqui coloco-me responsável por algum equívoco que esteja levantando com relação ao nome do meu lugar -, o nome determinado como União tem na sua origem a afabilidade com que os latifundiários se relacionavam nestas paragens nos tempos do açúcar, uma espécie, ao meu ver uma associação comercial, saída para que os muitos engenhos pudessem lucrar de forma que não desacelerasse o trabalho do outro.
No entanto a certeza que temos em meio ao montante de peças de um quebra-cabeças que cada vez que se tenta montar, mais complicado ele fica, é que por aqui viveram indígenas da etnia Tabajara. Falo da certeza porque ao pegar uma figura representativa do mapa do território brasileiro da ocupação indígena, na configuração atual e situar a fronteira da Paraíba com Pernambuco e conseguintemente o local onde está a Vila Siriji (fonteira), coincidirá justamente com o local onde, no século 16 habitaram os Tabajaras. Contudo o que nos traz aqui não é a formação territorial mas o nome do vilarejo.
| Distribuição dos povos indígenas brasileiros no século XVI |
Insistindo que União não é um nome que batiza o povoado, mas que conseguiu passar por diversas gerações erroneamente pelo fato de ser melhor lembrado quando se pensa no desenvolvimento daquelas fábricas de açúcar, por motivos já apresentados no início do texto. Pois tão duvidoso é que quando movido pela curiosidade busquei na hemeroteca da Biblioteca Nacional algum vestígio sobre esta região acabei deparando-me com alguns "conhecidos" como Vicente Guedes e Manoel Baptista de Lyra, importantes comerciantes do povoado de Mugunga (aparece em 1894 no almanaque na seção de Bom Jardim), que por motivo óbvio foi recenseado pelo almanaque Pernambuco e descriminado na edição daquele ano.
Para que todos possam compreender o que está sendo exposto, eis uma cópia do documento datado de 1894 citando Mugunga. Depois (não neste, mas noutro documento) perceberemos já São José do Serigy em 1925 fazendo parte ainda do território de Bom Jardim. Logo ao denominarem esta localidade, documentando-a em periódicos já nos fins do século 19 citavam Mugunga. Cabe a pesquisa revelar mais detalhes sobre esta localização geográfica uma vez que em 1844 possivelmente finalizava a construção de uma capela em intenção à Sant'Ana, padroeira do Engenho Patos, mas este é um outro momento da nossa História que será aos poucos debatida e comentada por aqui.
Para que todos possam compreender o que está sendo exposto, eis uma cópia do documento datado de 1894 citando Mugunga. Depois (não neste, mas noutro documento) perceberemos já São José do Serigy em 1925 fazendo parte ainda do território de Bom Jardim. Logo ao denominarem esta localidade, documentando-a em periódicos já nos fins do século 19 citavam Mugunga. Cabe a pesquisa revelar mais detalhes sobre esta localização geográfica uma vez que em 1844 possivelmente finalizava a construção de uma capela em intenção à Sant'Ana, padroeira do Engenho Patos, mas este é um outro momento da nossa História que será aos poucos debatida e comentada por aqui.
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| Página original da edição pernambucana do Almanaque Pernambuco de 1894. Hemeroteca da Biblioteca Nacional |
11 de fev. de 2014
Postado por
UENES GOMES

