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ISABEL CRISTINA POR OUTRO OLHAR


Nova biografia da Princesa Isabel é lançada em São Paulo. O novo enredo é traçado a partir do olhar feminino deste modo construindo um novo esteriótipo da possível Imperatriz do Brasil, caso o Golpe não tivesse sido deflagrado em 1889. Mesmo dando ênfase na personagem analisado pelo lado do gênero, possivelmente encontraremos resquícios da narrativa de Del Priore. "Castelo de Papel".  Onde constantemente vemos uma consternação familiar e uma intensa disputa política. 

Clique no link: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/11/1549046-biografia-investiga-princesa-isabel-pelo-aspecto-feminino.shtml


19 de nov. de 2014
Postado por UENES GOMES

PORTUGUÊS MEDIEVAL

Versão impressa do 'Vocabulário do Português Medieval
Versão impressa.
 O “Vocabulário do Português Medieval”, um lista com cerca de 170 mil palavras que eram usadas nos atuais territórios de Portugal e da Galícia (norte da Espanha) na Idade Média, foi lançado nesta sexta-feira (10), no Rio de Janeiro, após 35 anos de pesquisa.
A obra, elaborada por filólogos e lexicólogos da Fundação Casa de Rui Barbosa, instituto vinculado ao Ministério da Cultura. O vocabulário, em que cada palavra em desuso está vinculada ao seu correspondente atual, foi elaborado a partir de documentos datados em Portugal e na Galícia entre os séculos XIII e XV, segundo o ministério.
A obra, que começou a ser redigida em 1979, também permite identificar a origem comum do português e do galego e os diferentes caminhos que os separam. Além do trabalho de buscar e compilar os documentos originais, o projeto levou 35 anos para ficar pronto por causa das dificuldades de publicação.
Os autores tentaram pela primeira vez em 1984 mas, sem patrocínio, se limitaram então a um fascículo. Em 1986 e em 1994 foram publicadas adaptações em partes, mas não todo o vocabulário. A lista só foi completada em 1999, quando foi digitalizado. E só agora, com o patrocínio do ministério, os autores conseguiram lançar mil exemplares do vocabulário, que tem dois volumes.
FOLHA DE SÃO PAULO
12 de out. de 2014
Postado por UENES GOMES

OS LEGADOS DA REVOLUÇÃO FRANCESA: Declaração dos Direitos do Homem.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi anunciada ao público em 26 de agosto de 1789, na França. "Ela está intimamente relacionada com a Revolução Francesa. Para ter uma ideia da importância que os revolucionários atribuíam ao tema dos direitos, basta constatar que os deputados passaram cerca de 10 dias reunidos na Assembléia Nacional francesa debatendo os artigos que compõem o texto da declaração. Isso com o país ainda a ferro e a fogo após a tomada da Bastilha em 14 de julho do mesmo ano", explica o professor Bruno Konder Comparato, professor no Departamento de Ciências Políticas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares.
A Liberdade Conduzindo o Povo, de Delacroix: França exporta revolução. Imagem: Corbis/Stockphotos
A Liberdade Guiando o Povo,  de Delacroix:
França exporta revolução. Imagem. N.E.
Havia urgência em divulgar a declaração para legitimar o governo que se iniciava com o afastamento do rei Luís XVI, que seria decapitado quatro anos depois, em 21 de janeiro de 1793. "Era preciso fundamentar o exercício do poder, não mais na suposta ligação dos monarcas com Deus, mas em princípios que justificassem e guiassem legisladores e governantes", diz o professor. 
A importância desse documento nos dias de hoje é ter sido a primeira declaração de direitos e fonte de inspiração para outras que vieram posteriormente, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948. Prova disso é a comparação dos primeiros artigos de ambas:
• O Artigo primeiro da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, diz: "Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundar-se na utilidade comum".
• O Artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: "Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade".
O professor chama a atenção sobre os direitos sociais, não mencionados explicitamente no texto do documento. "Ela se concentra mais nos direitos civis, que garantem a liberdade individual - os direitos do homem - e nos direitos políticos, relativos à igualdade de participação política, de acordo com a defesa dos revolucionários do sufrágio universal, o que corresponde aos direitos do cidadão".
Foi também na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que o lema da República Francesa se inspirou: "liberdade, igualdade, fraternidade". O professor Bruno afirma que, dos três, a igualdade era o mais importante para os revolucionários. "No turbulento período que se seguiu à revolução, sempre que foi necessário optar, sacrificou-se a liberdade em defesa da igualdade. É o que explica a centralização do poder e o regime do terror", afirma.

Este artigo está disponível no site da Revista Nova Escola. Abril.
29 de jul. de 2014
Postado por UENES GOMES

QUEM SOU E O QUE SOU? A NOSSA IDENTIDADE

1. Segundo Imperador do Brasil. Grande precursor da 
formação identitária deste país. Patrono do IHGB.
Não difícil encontramo-nos perdidos quanto a nossa identidade. De onde viemos, quem somos e para onde vamos são indagações que norteiam o pensamento contemporâneo para situar a nós mesmos no gentílico Brasileiro. É uma temática recorrente nas rodas intelectuais, nas academias, universidades e onde haja pessoas falando a língua brasileira. Todos preocupados consigo mesmos: Quem são?!. Mas esta não é uma preocupação exclusivamente do século 21, deste ano, não! Discutir nossas origens, nosso papel social, nosso comportamento, é uma maneira de nos significar e nos reconhecer, e é uma prática desde os primeiros anos deste país.
No século XIX, o Império lutava para manter sua unidade, porque corria-se o risco da cisão e toda a América Portuguesa se desfragmentar como aconteceu na América Espanhola[1]; Contudo Portugal conseguira manter seu território unificado. Logo o Projeto Brasil estava começando a tomar forma e consequentemente o projeto de nação. O IHGB vai promover um concurso onde Francisco Adolfo Varnhagen ganha o prêmio e escreve a primeira obra no brasil sobre o nosso país. No entanto é no segundo reinado que as formas de nação, de estado vão se consolidando. A interpretação do país é uma encomenda do Imperador que mesmo sabendo de todos os problemas que o país enfrentava gostaria de projetar a ideia de uma nação harmônica e que fosse uma narrativa que agradasse a Europa sobretudo. Havia sido excluído desse primeiro texto tudo que fosse negativo ao desenvolvimento intelectual, então nascia uma nação que não tinha negros, que não tinha índios, pois esses sujeitos eram sinais de regresso de incivilidade, e o Varnhagen é mais contundente em afirmar que o nativo é mais tolerável que o negro, pois este foi introduzido depois e representa o atraso do país. Nós vamos ver uma gama de pensadores, estrangeiros escrevendo sobre a formação do Brasil de forma que aniquilaram por completo sua essência. O Brasil é um país sem problemas.
A imagem do Brasil que se queria projetar no mundo era de uma nação branca e civilizada, todo estereotipado ao modo europeu de ser. Isto não mudou muito ao longo do século, tendo se intensificado nos anos posteriores a proclamação da República com os alargamentos das cidades, projetos de imigração... Monta-se uma conjuntura de ideias para reforçar esse branqueamento do país e esconder a verdadeira cara do imenso território brasileiro.
No século XX, a luta incansável pela procura da identidade do país tem retomada, teorias raciais, a construção do mito da democracia racial sustentada por Gilberto Freyre e criticada duramente por Darcy Ribeiro[2].
Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado e mais uma leva de estudiosos ávidos para dar a resposta que todos queriam saber, são combustíveis para responder a célebre pergunta: O que é o Brasil?
Neste relatório sobre o trabalho audiovisual Intérpretes do Brasil, produzido pela Tv Cultura, que reúne vários estudiosos abordando o conceito de identidade pretende-se debater a temática identitária do brasileiro.  Tendo como análise, Darcy Ribeiro a proposta desta narrativa.
Darcy Ribeiro, antropólogo, sociólogo, historiador, etnólogo, foi um estudioso do século XX que procurou sintetizar o que era o país onde ele vivia. Nascido em Minas não negou sua natureza, orgulhoso de sua terra dedicou toda sua vida aos estudos da nossa nação. Enfocando sempre no nativo desenvolveu trabalhos brilhantes e de grande importância para o conhecimento científico nacional. Sendo responsável mais tarde de criar uma universidade a UNB, fruto de conflitos de ideias dentro da Universidade de São Paulo.
A compreensão do país pelo nosso antropólogo se dá a partir de onde ele está. Tomando Gilberto Freyre como exemplo, outro estudioso do Brasil, a visão do analista sobre a casa grande, estando ele, lá, sempre será passivo, não logrando ao cativo a real condição social do indivíduo; Escrever sobre este país usando como fonte olhares exógenos, jamais poderia despir o país que Darcy tanto amou de tal forma que conseguisse entende-lo e por isto é importante notar que Darcy vai na fonte, colhe de lá o embrião que germinará em diversas obras, sempre na perspectiva da alteridade. Mesmo escrevendo sobre o Brasil ele constatou que o que fizera não era tão relevante, era apenas mais uma forma de reafirmar o que o “mundo civilizado” pensava sobre a sociedade ocidental. Ser etnocêntrico pareceu ser o problema dele, olhar a cultura de forma hierárquica. Como se existisse uma cultura superior a outra. E é Franz Boas que traz uma discussão válida sobre isto, ele diz “frequentemente me pergunto que vantagem nossa “boa sociedade” possui sobre aquela dos “selvagens” e descubro, quanto mais vejo de seus costumes, que não temos o direito de olhá-los de cima para baixo”
A construção cultural do Brasil resulta da fusão de três culturas, a europeia, a indígena e a africana. E Darcy reconhece que se colocar o país no centro do mundo, dando real importância a ele, poderemos nos conhecer melhor. Partindo do estranhamento de seus próprios estudos sentiu necessidades de inserir na historiografia novos elementos, sui generis d’um povo sincrético como nós. A apresentação de uma teoria própria nos daria aporte para nos estudar. O seu livro A América e a Civilização trata das diferenças e os certames da nossa população inerente aos da América do Norte. Se não demos certo por quê, e eles se não tinham nada para crescer como chegaram a ser a maior potência econômica do planeta. De sobremaneira é neste livro que ele trata da transfiguração da cultura, posto que é a junção dessas três culturas e dão luz a uma que não nem portuguesa, nem europeia nem africana, é brasileira.
O saudoso professor, criador de teorias e estudioso dos indígenas nos deixa a reflexão sobre o que somos. Se somos realmente uma nação, por que vivemos num país onde as regiões mais parecem autônomas? Há no Brasil uma realidade dialética, onde não ocorreu a desfragmentação física, mas se formos demarcar utilizando os conceitos culturais, há no país vários Brasis. 
Uenes Gomes Barbosa.


1 No século XIX o Brasil era um Império entre repúblicas. Os ventos liberais da Independência das Colônias do Norte e os levantes desencadeados a partir de 1789, influenciaram demais o pensamento da américa.
[2] Brasil Colonial. Luiz Roberto Lopes.

O BRASIL DOS ESTRANGEIROS

A TV Senado completa os quatro episódios sobre a História do Brasil, gradualmente disponibilizados no veículo da Casa. Os quatro documentários versam sobre a construção de um país grande, quase impossível manter-se unido ameaçado as vezes pela grande diversidade cultural, analisado por diversos viajantes que aportaram por aqui. Brasil no Olhar dos Viajantes traz análises de exploradores, naturalistas e estudiosos de diversas nacionalidades que vieram ao Brasil em busca de aventuras e em missões científicas. Franceses, ingleses, alemães, holandeses, austríacos, italianos, sem falar dos portugueses (que ficaram) e espanhóis que colonizaram o nosso país. No campo da identidade Jean Marcel (Professor de Brasil Colônia - UFF), juntamente com uma equipe de professores especialistas na temática conduzem os quatro episódios falando sobre nosso povo, costumes, crenças e como se deu a ocupação nestas terras. Como o Brasil é visto lá fora e como é construído pelos próprios brasileiros. 





Vídeos do canal TV Senado no youtube

PLVS VLTRA: EXPANSÃO MARÍTIMA COMERCIAL

Breve estará disponível arquivo do seminário contendo textos, mapas e o produto das discussões.

MINISTRA DA CULTURA FALA DA IMPORTÂNCIA EM ESTUDAR A CULTURA AFRO.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participou da abertura do "I Seminário Internacional Instituições nefandas: a agonia da escravidão e da servidão nos Estados Unidos, Rússia e Brasil", nesta terça-feira (20), no Rio de Janeiro. O evento é promovido pela Fundação Casa Rui Barbosa (FCRB), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). 
A ministra Marta Suplicy destacou a importância do evento que reúne 20 pesquisadores nacionais e estrangeiros e tem como objetivo examinar e comparar os processos de escravidão no Brasil e nos Estados Unidos e de servidão na Rússia.

"Nesse formato que foi pensado, o mais instigante e inovador é a possibilidade de comparação entre o que foi a escravidão no Brasil e a servidão na Rússia e o que isso acarretou. São duas nações gigantescas, de territórios continentais e que hoje são parceiras nos BRICS e, ao mesmo tempo, que tiveram encaminhamentos diferentes, mas com muita semelhança", explicou a ministra.
Para o historiador e embaixador Alberto Costa e Silva, que também participou da cerimônia de abertura, o seminário "é um campo aberto com extremas possibilidades de investigação do início do comparativismo, o qual esse seminário dá um dos limites de apreciação no Brasil e estímulo a comparar as nossas escravidões com as do mundo".
MUSEU AFRO
Marta Suplicy destacou que o seminário é um reflexo da constatação de Joaquim Nabuco de que a escravidão permanecerá por muito tempo como uma característica nacional do Brasil. "Ele deixou uma reflexão muito pesada e verdadeira, o que gerou também a ideia do Museu Afro, em Brasília. Somos 52% de brasileiros que se autodeclaram negros, sabemos que somos muito mais enquanto nação: a nossa raiz é negra. O espaço também permitirá resgatar a auto-estima do processo civilizatório que o Brasil deve aos negros", declarou a ministra.
         O museu, que deverá ser instalado em Brasília, será um espaço muito moderno e um Centro de Referência da Cultura Negra onde o visitante poderá, através do uso de interatividade e tecnologia de ponta, conhecer a trajetória dos povos afrodescendentes no Brasil.
         O seminário acontece até a próxima quinta-feira (22) e tem entrada franca. Os interessados podem realizar as inscrições nos dias do evento, das 9h às 10h. Os participantes receberão certificados. As palestras e debates terão tradução simultânea inglês/português e português/inglês e transmissão ao vivo pela internet.
Fonte: MinC.

LIVROS DO PERÍODO DA DITADURA TRATAM O MOMENTO COMO REVOLUÇÃO.

Nos colégios militares, golpe de 1964 é ensinado como 'Revolução'

Livro de História editado pelo Exército, usado pelos 14 mil alunos de todas as unidades, é alvo de críticas de especialistas.

Sem precedentes nos anais dos levantes políticos sul-americanos, a Revolução de 1964 foi levada a efeito, não por extremistas, mas por grupos moderados, respeitadores da lei e da ordem.” No dia em que o golpe militar completa 50 anos, ler essa frase pode soar até como provocação. Mas não é. O trecho é apenas uma das polêmicas passagens do livro didático “História do Brasil — Império e República”, da Coleção Marechal Trompowsky, utilizado por mais de 14 mil alunos nos 12 colégios militares do país.
Historiadores acusam a obra de ser “enviesada”. Em suas páginas, estudantes do 7º ano do ensino fundamental aprendem que, mesmo com os subsequentes atos institucionais que suspendiam as eleições diretas e cassavam direitos políticos de opositores, “o Brasil continuava no rol das democracias”. Quando ex-políticos uniram-se para formar a Frente Ampla e pedir a volta do estado democrático de direito, o livro ensina que “o diálogo proposto pelo Governo não encontrou a necessária receptividade”.
Mesmo dentro dos Colégios Militares, o livro encontra resistência. No ano passado, a professora Silvana Pineda, de História do Colégio Militar de Porto Alegre, negou-se a utilizar o livro. Ela foi então realocada para outros cargos, o que a motivou a impetrar um mandado de segurança para poder voltar a ensinar. Em maio do mesmo ano, a Justiça lhe concedeu o direito, e Silvana retornou ao trabalho.
Tudo é explicado em sucessões de fatos, onde as medidas tomadas são uma resposta aos “subversivos”. O AI-5, por exemplo, entrou em vigor para “combater atividades terroristas praticadas por diferentes organizações integrantes do Partido Comunista”. Em nenhum momento casos de tortura são mencionados.
Os alunos só ficam sabendo que houve “guerrilhas subversivas”, e que no seu combate, “quer na área urbana quer na rual, o Governo reprimiu e eliminou as facções comunistas engajadas na luta armada, porque a preservação da ordem pública era condição necessária ao progresso do País”.
Pulicada pela primeira vez em 1998 pela Biblioteca do Exército (Bibliex), a obra nunca passou por uma avaliação fora dos muros da caserna. A Bibliex não inscreveu o livro no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), do Ministério da Educação, que analisa e seleciona títulos como recomendações a escolas públicas e privadas do Brasil. O motivo é que, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, as Forças Armadas têm autonomia em seu sistema de ensino, dando competência ao Ministério da Defesa, e não ao MEC, de administrar os colégios militares.
Para a historiadora do Instituto Federal de Educação do Rio, Pâmella Passos, o livro reproduz as ideias pregadas pelo regime:
— Um livro didático que reproduz o discurso legitimador de um estado ditatorial incorre diretamente nos riscos de contribuir com a formação de jovens que naturalizam o desrespeito às instituições democráticas e às práticas de tortura, visto que os trechos desse livro não aprofundam nem problematizam episódios importantíssimos, como AI-5 e guerrilhas. 
Fonte: O Globo em CAFÉ História.
9 de abr. de 2014
Postado por UENES GOMES

UM NOVO MUSEU PRESTES A SURGIR NA MATA NORTE

Detalhe do teto, mostrando o esplendor do barroco. 
Engenho Bonito - Nazaré da Mata. A propriedade dos Vieira de Melo passará por uma ampla restauração visando o turismo e a reimplantação de uma fábrica de rapadura, parte do projeto do restauro da moita, posteriormente surgirá, com a ação mais um museu na mata norte. Contudo o que encanta e ascende a expectativa dos transeuntes e munícipes é a capela, reconhecida pela suntuosidade e ostentação, tornando ela peculiar por estar na zona rural. Sobre os Vieira de Mello sabemos que são uma importante família presente na historiografia brasileira, sobretudo atuantes no período de rompimento entre a Portugal e Brasil, onde se mostraram favoráveis à corte portuguesa, pois previam adotar as reformas constitucionais que acontecia além-mar, formaram a junta de goiana e expulsaram o representante do reino em Pernambuco, o Gal. Luís do Rego. Na capela destaca-se a nave, a capela mor, o coro, a sacristia, o batistério e as galerias laterais. Tombada em 1949, desprezada pelas políticas patrimoniais, o marco na construção religiosa do Pernambuco Católico e açucareiro tomba gradativamente. 

 
Vídeo postado por João Pedro Cavalcanti

PATRIMÔNIO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO DESPREZADO.

A árdua luta entre o poder público e as ações do Instituto contra a degradação do Patrimônio e preservação da Identidade da cidade de Braga!
Por Uenes Gomes Barbosa
Identidade, o que vem a ser isso? Dominique Wolton define identidade como o caráter do que permanece idêntico a si próprio; como uma característica de continuidade que o Ser mantém consigo mesmo. Nossa identidade nos distingue como cidadãos. Identidade também está atrelada ao conjunto de signos que enfatizam as características de um País. Mas recentemente temos acompanhado congressos e mesas redondas debatendo sobre a perda de identidade de algumas cidades importantes para a construção de nossa história. Em Pernambuco, a cidade de Olinda corre o risco de perder o título de Patrimônio da Humanidade por conta dos riscos na preservação do patrimônio material; em Vicência o centro Histórico, descaracterizado, tem perdido a graça ante os turistas que a visitavam e em Belo Jardim uma política mais contundente, tenta preservar o conjunto arquitetônico da cidade de um fenômeno irracional que tem se manifestado em todas as regiões, o descontrole e a falta de interesse ocasionando a perda de Identidade.
O que tem a ver Vitória de Santo Antão com esse contexto?
O Silogeu, teatro da cidade, foi palco do evento de comemoração pelos 170 anos de elevação de Vitória, da categoria de Vila à Cidade, que se deu em 1843 pelo então Barão da Boa Vista, vitoriense. Estiveram presentes na solenidade ocorrida na última sexta-feira (10), representantes da sociedade intelectual de Vitória, dentre professores, literários, políticos e militares que se fizeram presente na mesa de honra. O evento foi marcado por grande discussão sobre essa temática. Analisando as ações da Prefeitura, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, Prof. Pedro Férrer, inferiu muito oportunamente chamando a atenção das autoridades para a preservação do patrimônio cultural e afirmando que o Instituto, em momento algum se omitirá ante as atrocidades e o desrespeito com a população, em deixar o patrimônio esvair-se em meio a escombros e lixo acumulado defronte às construções. É de extrema necessidade que haja um olhar mais sensível, uma vez que o poder administrativo tem a pachorra de fechar os olhos para o que está acontecendo. “O instituto não é macaquinho de mesa de escritório que não vê, não ouve e não fala, pelo contrário a Instituição tem o compromisso de autuar e punir seja quem for que esteja depredando a cidade,” afirmou o presidente numa de suas falas.
É notório que a cidade de Vitória tem relevante importância para o entendimento da História de Pernambuco. Foi no local, hoje conhecido como Monte das Tabocas, que aconteceu em 1645 a expulsão dos holandeses das terras pernambucanas, Vitória! O Instituto Histórico e Geográfico de Vitória tenta driblar as dificuldades que são ínfimas e realizar um trabalho onde possa contemplar o que mais é significativo aos vitorienses: sua história.
Vale ressaltar que a Câmara municipal na pessoa do Presidente mostrou comprometimento com a causa patrimonial numa das obras mais necessárias do Instituto Histórico: O casarão mourisco do século 18 e em estado de conservação em xeque, pois os recursos são escassos e não há interesse da administração a preservação do patrimônio.
No ensejo fez-se uma homenagem à sua filha premiada e de quem a cidade orgulha-se imensamente, Dona Maria do Carmo Tavares de Miranda em reconhecimento a sua importância para as letras pernambucanas e contribuições que deixou em trabalhos acadêmicos no campo da Filosofia. Maria do Carmo nasceu na cidade de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata do Estado. De formação erudita, a pesquisadora iniciou sua trajetória fazendo duas graduações: Letras Clássicas e Filosofia, ambas na Universidade Federal de Pernambuco. No final da vida, sabia traduzir para mais de oito idiomas, incluindo grego, latim, aramaico e hebraico, segundo conta o jornalista Leonardo Dantas, seu amigo pessoal. Mais tarde, seguiria para estudar na França, doutorando-se em Filosofia na Universidade de Sorbonne, em Paris, antes de voltar para o Brasil para lecionar na Universidade Federal de Pernambuco.
Vitória de Santo Antão precisa estar engajada na causa patrimonial. É incansável a luta do Instituto. Cabe aos vitorienses não deixar a sua identidade acabar nem a memória ser esquecida nos arquivos dos poderosos. A história precisa estar nas mãos do povo, os poderosos deturpam e fazem degringolar o processo na qual a Instituição está emergindo.

MAIO: MÊS DOS MUSEUS

Foram encerradas na última quinta-feira (20), as inscrições para a 12ª Semana de Museus, que acontecerá de 12 a 18 de maio com o tema Museus: as coleções criam conexões.
Seguindo uma tendência que se repete a cada edição, a temporada de eventos terá participação recorde de museus e outros centros culturais: um total de 1.337 instituições inscreveram eventos e garantiram sua participação.
Para o presidente do Ibram, Angelo Oswaldo, os números mostram o dinamismo do campo museológico brasileiro: "são mais de 4 mil ações que movimentarão o campo cultural brasileiro ao longo do mês de maio, trazendo, inclusive, reflexos positivos na economia", avalia.
Participação nacional 
Ao todo, foram  cadastrados 4.268 eventos. A edição deste ano contará com 614 cidades participantes, distribuídas pelas 27 unidades da federação. A região Sudeste, com 533 instituições inscritas, concentra o maior número de museus e centros culturais envolvidos, seguida pelas regiões Sul (336), Nordeste (299), Centro-Oeste (95) e Norte (74).
O tema da 12ª edição da Semana de Museus segue o mote do Dia Internacional dos Museus, definido pelo Conselho Internacional de Museus (Icom). O tema sugerido para 2014 lembra que os museus são instituições vivas que ajudam a criar vínculos entre visitantes, gerações e culturas ao redor do mundo.
Criado em 1977 pelo Icom, o Dia Internacional de Museus tem como objetivo sensibilizar sobre o papel dos museus no desenvolvimento da sociedade. O Brasil é considerado um dos países que mais celebram a data.
A edição 2013 da Semana de Museus, que teve como tema Museus (memória + criatividade) = mudança social, envolveu 1.251 instituições e contou com 3.910 eventos em 535 municípios brasileiros. Confira resultado de pesquisa com participantes da 11ª Semana de Museus.

Texto: Ascom/Ibram
Edição: Ascom/MinC

ENGENHO POÇO COMPRIDO: UM POUCO DE HISTÓRIA REGIONAL

Casa Grande do Engenho Poço Comprido Vicencia (PE)
Vista parcial da casa-grande e capela do Engenho Poço Comprido antes da reforma.
O Engenho Poço Comprido, forma o conjunto arquitetônico remanescente da sociedade da antiga agro-indústria açucareira pernambucana; hoje pertence à Usina Laranjeiras, mas é a Associação dos Filhos e Amigos de Vicência que faz a gestão do sítio histórico. Único engenho do Brasil tombado nacionalmente pelo Instituto de defesa do Patrimônio Histórico Nacional, o IPHAN, conforme se vê no Livro de Tombo de Belas Artes, no ano de 1962.
O tombamento do Engenho Poço Comprido deveu-se ao de ser ele o único engenho construído no século XVIII em Pernambuco totalmente preservado. Além disso, ele foi construído em uma das primeiras sesmarias da região e deu origem a outros engenhos.
O engenho Poço Comprido está localizado no Vale do Siriji, um conjunto de serras que criou as condições naturais de constituição das nascentes dos rios da chamada Bacia do Rio Goiana e que desempenha o papel de divisor de águas da bacia hidrográfica destes rios da do Paraíba.
Poço Comprido foi construído num trecho da ribeira do Siriji que reunia as condições idealizadas pelos colonizadores europeus do final do século XVII: o outeiro para construir a casa-grande e a capela, de forma a obter o domínio espacial do engenho, o controle operacional dos homens ligados à produção e a submissão das almas dos moradores; um espaço amplo, à vista da casa-grande, para instalação da unidade fabril; um rio como linha de movimento, como estrada para o ir e vir de cargas e pessoas e, sempre que possível, para a produção de força motriz, além de servir do abastecimento, à higiene e à salubridade. O engenho guarda ainda uma área verde considerável no entorno da casa-grande.
No ano de 1824, Frei Caneca, líder da Confederação do Equador, naquela ocasião, ao passar pelo Engenho Poço Comprido, celebrou um grande conselho, em que tomaram parte o capitão José Vitoriano Delgado, então eleito governador das armas, toda a oficialidade dos corpos, sendo então resolvida a instalação da assembléia constituinte do Brasil em um ponto central, onde em liberdade e fora da influência das armas do Rio de Janeiro, ou em outra qualquer província, se pudesse discutir e decretar a constituição ou leis fundamentais do Brasil; pois que de nenhuma outra forma receberiam constituição alguma, que não fosse feita pelos legítimos representantes da nação brasileira, reunida em congresso soberano.
A Associação dos Filhos e Amigos de Vicência, comodatária deste patrimônio, realiza ações que promovem a preservação do conjunto arquitetônico, compreendendo de quatro hectares. Poço Comprido recebe visita de turistas e estudantes. E o engenho tem, sido tema de vários estudos acadêmicos de estudantes em diversos níveis.
No espaço das edificações deste engenho funciona o Ponto de Cultura Poço Comprido com atividades voltadas para a cultura popular local e regional e a educação patrimonial, através de oficinas pedagógicas dentro deste contexto e da realização de eventos que divulguem e vivenciem a cultura desta localidade.
Texto pesquisado por Joana D’Arc , escrito por Joana Darc e Severino Vicente
(Programa do dia 12/02/12)

EDUCAÇÃO PARA TODOS [DA ELITE]


Beatriz Boclin Marques dos Santos
Coordenadora do núcleo de documentação e memória do Colégio Pedro II.
Incluir o Brasil no rol das nações civilizadas: este era o projeto do Império. O Estado se esforçou para melhorar o nível do ensino superior e implementar a instrução primária e secundária. A criação do Colégio Pedro II atendia a esse plano do governo, já que se dedicava à formação da elite brasileira. E a História ganhava importância: era necessário estudar o Brasil, conhecer sua gênese. Somente olhando um passado comum seria possível forjar a nacionalidade. 
O Brasil vivia o Período Regencial (1831-1840), quando não havia um imperador de fato e várias províncias abrigavam movimentos separatistas. Por isso, a unidade do Estado Imperial estava ameaçada, e a História surge como um elemento capaz de construir uma “identidade nacional”. Por isso foi criado, em 1838, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), sob a proteção do Império, para ajudar a elaborar uma narrativa sobre o passado nacional que valorizasse os grandes feitos políticos ligados à monarquia.
Litografia de Bertichem (década de 1860) mostra a primeira sede do Colégio Pedro II, ao lado da Igreja de São Joaquim.
primeira sede do Colégio Pedro II, ao lado
 da Igreja de São Joaquim.

O primeiro regulamento do Colégio Pedro II data do mesmo ano da criação do IHGB, em 31 de janeiro de 1838. Nele, a História fazia parte do plano de estudos como disciplina obrigatória. Esse documento incluía a estrutura organizacional e os fundamentos filosóficos da escola, com seu ensino enciclopédico e acadêmico.

O documento estabelecia que a duração do curso inicial – equivale ao segundo segmento do ensino fundamental e ao ensino médio – na instituição seria de oito anos. A disciplina História era ministrada desde o 3º ano do curso até o final, considerada uma matéria de peso em um currículo que valorizava a formação clássica e erudita.

Apesar de ser uma escola pública, o Colégio Pedro II não era gratuito naquela época. Os alunos pagavam o honorário do ensino prestado, fixado pelo governo imperial. Os primeiros alunos ingressaram na instituição por meio de um rigoroso exame de admissão que prezava a idade, o mérito adquirido e o mérito ingênito, ou seja, pessoas que possuem um dom inato. Ao completar o curso, os estudantes recebiam o grau e o diploma de Bacharel em Ciências e Letras, que os habilitava a ingressar no ensino superior sem prestar exames.

A origem do Colégio Pedro II remonta ao Seminário dos Órfãos de São Pedro, criado pela provisão do bispo D. frei Antonio de Guadalupe em 1739, no Rio de Janeiro. Depois de 27 anos, passou a se chamar Seminário de São Joaquim e exerceu também a função de escola, representando um polo de cultura. Esse papel ganhou ainda mais relevância com a expulsão dos jesuítas, em 1759. Sem os religiosos, os jovens da Colônia ficaram com poucas opções de ensino. A educação era feita em casa com preceptores ou em seminários ligados às paróquias locais.

O Seminário de São Joaquim foi transformado em Colégio Pedro II graças a um decreto publicado em 1837. A iniciativa foi do ministro interino do Império, Bernardo Pereira de Vasconcellos, durante a Regência de Pedro de Araújo Lima (1793 -1870). O nome dado à escola foi estratégico, já que dava a ideia de que a instituição pertencia ao imperador.

A História foi ganhando espaço em uma articulação singular entre a academia e a escola. Coube aos historiadores do IHGB, criado em 1838, a missão de pensar e escrever uma história que construísse a identidade nacional e que fosse lecionada no Colégio Pedro II. Por causa disso, o ensino da disciplina acabou ficando marcado pela historiografia acadêmica e nacionalista que vigorava no IHGB.

A produção didática para a História no Brasil começou, desta forma, dentro da esfera do Estado – mais precisamente da monarquia –, já que tanto o Colégio como o IHGB estavam sob a proteção direta do imperador D. Pedro II (1825-1891). Quase todos os professores do Colégio Pedro II eram, inclusive, sócios do Instituto.

O ministro Bernardo Pereira de Vasconcellos era quem indicava os professores para as cátedras do Colégio, uma decisão que tinha que ser aprovada pelo próprio imperador. Os professores catedráticos tinham status acadêmico e muitos deles integravam as cadeiras nos níveis de ensino superior e secundário.

Como não havia instituições que se dedicassem à formação de professores, normalmente eram selecionados membros da comunidade letrada do Império, como advogados, médicos, escritores. Era uma elite intelectual basicamente formada no exterior. Entre os nomes famosos que deram aula no Colégio Pedro II estão os historiadores-autores Justiniano José da Rocha (1811-1864) e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882).

A escolha do material didático também era cuidadosa. O próprio Bernardo Vasconcellos fazia a seleção dos compêndios – como eram conhecidos os livros didáticos da época. As primeiras publicações desse tipo foram inicialmente importadas: eram os manuais franceses de Cayx e Poisson (História Antiga) e os de Rozoir e Dumont (História Romana). Mais tarde, essas obras foram traduzidas por Justiniano José da Rocha.

O governo imperial estabelecia ainda os programas de ensino do Colégio. Todos eles seguiam os ideais do Império de gerir um projeto para uma nação identificada com o homem branco europeu e cristão. Para desenvolver o trabalho de construir uma História do Brasil, os intelectuais historiadores do IHGB e do Colégio Pedro II utilizaram a concepção de História que se constituía na Europa naquele momento. A escrita era fundamentada em uma história universal, ligada às tradições iluministas, de cunho científico. Esta modalidade atendia à necessidade de pesquisar o passado colonial e de valorizar a realidade brasileira sem deixar de incluir o país na civilização ocidental. Mas o controle não era absoluto. Afinal, o conteúdo das disciplinas estava a cargo dos catedráticos, em sua maioria autores dos livros didáticos ali adotados. Nascia assim uma escrita da história acadêmica dedicada ao ensino.

No Colégio Pedro II, a História fazia parte do chamado currículo das “humanidades”, cujo padrão cultural era a Antiguidade Clássica. A formação oferecida se inspirava na educação francesa, tendo como modelo as escolas idealizadas por Napoleão Bonaparte, como o Colégio Henrique IV e o Liceu Luís, o Grande. Latim, grego, literatura clássica e história ocidental compunham o currículo escolar.

Esse estudo pretendia ainda transmitir um compromisso moral, promovendo a construção de valores que qualificariam o cidadão. Por isso, os conteúdos ensinados deveriam oferecer modelos de conduta, valorizando a figura do herói da Antiguidade, cuja virtude serviria de inspiração aos jovens alunos. Era uma educação que pretendia formar o futuro cidadão, o homem de bem que iria desempenhar funções fundamentais para o Estado.

A escola representou um lugar de formação tanto do currículo quanto do ensino de História, iniciando os programas curriculares e os manuais didáticos. Se a historiografia brasileira teve como ponto de partida o IHGB, a História estruturada como matéria escolar começou no Colégio Pedro II.

Beatriz Boclin Marques dos Santos é coordenadora do Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II.

Saiba Mais - Bibliografia

DÓRIA, Escragnolle. Memória Histórica do Colégio Pedro II: 1837-1937. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 1997.

GASPARELLO, Arlette Medeiros. Construtores de identidades: a pedagogia da nação nos livros didáticos da escola secundária brasileira. São Paulo: Iglu, 2004.

FONTE: BN/ agosto de 2010

24 de fev. de 2014
Postado por UENES GOMES

O GOLPE DE 64 E A DITADURA PELA HISTORIOGRAFIA MARXISTA



Este vídeo traz o depoimento de Carlos Fico, sobre a análise historiográfica marxista sobre o golpe de 64.

"ASSUCAR"

O texto que compartilho nesta matéria é da gastrônoma, Maria Lectícia Cavalcanti, uma pernambucana que dedica seus estudos às receitas da cozinha de Pernambuco. Lectícia tem suas fontes na obra de Gilberto Freyre. Mas deixo para que você possa degustar esse assunto lendo a matéria por completo.

Engenho-bangüê em funcionamento na década de 1950 (Engenho Espadas, Pernambuco)
Assim, com essa grafia, Gilberto Freyre deu título a seu livro, em 1939. E escrever sobre o tema, como ele próprio reconheceu, foi mesmo um “ato de coragem”. Que a crítica, conservadora, simplesmente não compreendia como um intelectual de sua dimensão perdia tempo com receitas de doces e bolos, utensílios de cozinha e papel de seda recortado usado para decorar esses bolos e esses doces. Mas ele não se incomodou; sobretudo porque pressentia que tudo aquilo acabaria tendo enorme importância, no futuro que viria.
Começou então a catalogar, cuidadosamente, receitas que chamou “de pedigree – que têm história, que têm passado”. Tanto as aristocráticas, nascidas nas casas-grandes; quanto as de tabuleiro, que se viam nas ruas. De todos os tipos. Com sabor de pecado – beijos, suspiros, ciúmes, baba-de-moça, arrufos-de sinhá, bolo dos namorados, colchão de noiva, engorda-marido, fatias paridas. Doces criados por freiras – manjar-do-céu, bolo divino, papos-de-anjo. Para lembrar fatos históricos – treze de maio, cabano, legalista, republicano. Com nomes das famílias que os criaram – Cavalcanti, Souza Leão. Dos engenhos onde foram concebidas – Noruega, Guararapes, São Bartolomeu. E nome de gente – dona Dondom, dr. Constancio, dr. Gerôncio, Luiz Felipe, Tia Sinhá.
Mais os sabores das festas – Carnaval, Semana Santa, São João, Natal. Sem esquecer xaropes e chás: de flor de melancia (para dor dos rins), de mastruço (gripe), de capim santo (fígado), de cidreira (tosse), de casca de catuaba (impotência).
É através dessas receitas que Gilberto Freyre nos leva de volta à origem da cana de açúcar, à geografia dos primeiros engenhos e ao ambiente das casas-grandes. O açúcar, só para lembrar, chegou à Península Ibérica por mãos mouras. No começo privilégio de nobres e abastados, era então vendido em farmácias para curar doenças respiratórias, cicatrizar feridas, acalmar o espírito. Depois ganhou prestígio ainda maior, quando passou a ser usado na preparação de pratos. E logo se viu que ali “estava uma fonte de riqueza quase igual ao ouro”.
Produzir açúcar passou a ser sonho de reis. Difícil de realizar, na Europa, por exigir solo rico, úmido e, o que quase não havia por lá, especialmente quente. Em busca de fumo e terra para plantar cana, os portugueses chegaram por aqui.
Oficialmente, as primeiras mudas desembarcaram em 1532 – trazidas por Martim Afonso de Souza, para a capitania de São Vicente; e em 1535, por Duarte Coelho Pereira, para a capitania de Pernambuco. Um sucesso; que “encontraram, nesse massapé, solo verdadeiramente ideal para sua floração”.
O primeiro engenho pernambucano completo foi instalado por Jerônimo de Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho, no mesmo ano em que aqui chegaram. Era o “São Salvador”, depois conhecido como “Engenho Velho de Beberibe”. Aos poucos os engenhos foram tomando, nas várzeas dos rios, o lugar que era da Mata Atlântica. Dado se prestarem, magnificamente, “a moer as canas, a alagar as várzeas, a enverdecer os canaviais, a transportar o açúcar”.
Depois se espalharam por todo o Nordeste. Não sem custos. Logo se viu que as primeiras vítimas desses engenhos eram nossos índios. “O açúcar matou o índio”, registrou Gilberto Freyre. Por serem “incapazes e molengas” para esse duro trabalho no campo. Duarte Coelho então compreendera que “o homem necessário à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar era o africano”. Assim nasceu, misturado à doçura branca do açúcar, a chaga amarga da nossa escravidão.
Mas essa adaptação a um cenário novo foi se fazendo aos poucos. As casas-grandes dos engenhos, por exemplo, não foram cópias perfeitas das casas portuguesas. Por conta do calor dos trópicos, as cozinhas ficaram longe das salas e dos quartos, fora de casa, em um puxado. “Debaixo dos cajueiros, à sombra dos coqueiros com o canavial sempre ao lado a fornecer açúcar em abundância”. Era um reino sem homens. “As senhoras portuguesas dominaram aquelas cozinhas”. Mas, sem a ajuda de cozinheiras negras, não “se explica o desenvolvimento de uma arte de doce… exigindo tanto vagar, tanto lazer, tanta demora, tanto trabalho no preparo”.
As receitas, daquele tempo, quase todas, permanecem intactas. Como se o tempo não tivesse passado. Porque, numa “velha receita de doce ou de bolo há uma vida, uma constância, uma capacidade de vir vencendo o tempo sem vir transigindo com as modas”. E é graças à ousadia, à persistência e ao gênio de Gilberto Freyre que hoje, através dessas receitas, podemos compreender melhor nossa história, nossa alma e nosso destino.
RECEITA: DOCE DE MAMÃO RASPADO

Ingredientes:
1 kg de mamão verde
700 g de açúcar
Cravos-da-índia

Preparo:

- Descasque, tire os caroços e raspe o mamão (na parte mais grossa do ralador). Ferva ligeiramente e escorra. 
- Leve ao fogo mamão, açúcar, cravo e um pouco de água. Deixe no fogo até que o mamão esteja cozido e a calda consistente (quando levantar a calda com uma colher de pau e ela escorrer em fios finos).

Maria Lectícia é Pesquisadora. Escreve para Revista Gosto e Caderno Sabores (Folha de Pernambuco). Livros: O negro açúcar, História dos sabores pernambucanos, Gilberto Freyre e as aventuras do paladar, entre outros.

19 de fev. de 2014
Postado por UENES GOMES

HISTÓRIA DO BRASIL POR BORIS FAUSTO


Documentário sobre a história do país pelo historiador Boris Fausto.

CULTURA LETRADA E CULTURA ORAL NO RIO DE JANEIRO.


Da edição de fevereiro, da Revista de História da Biblioteca Nacional, excelente indicação do Prf. Fabiano Vilaça dos Santos (UFRJ). Cultura Letrada e Cultura oral no Rio de Janeiro dos vice-reis, Marta Beatriz Nizza da Silva. Aqui transcrevo o texto da página 92 da edição supramencionada. Alguns dos maiores problemas enfrentados pelos vice-reis do Brasil na segunda metade do século 18 foram as disputas de fronteira entre portugueses e espanhóis no sul, as dificuldades para disciplinar e prover as tropas e a necessidade de promover novas culturas agrícolas e o comércio. Sobre estas questões há um sem-número de documentos em arquivos brasileiros e estrangeiros, outros tantos publicados, além de trabalhos acadêmicos. Mas os assuntos nos quais Maria Beatriz Nizza da Silva se detém neste livro são de outra natureza. Dedicada à história cultural desde os anos 70, a autora desenvolve, de 1770 até a chegada da corte em 1808, a articulação entre cultura letrada e cultura oral no Rio de Janeiro. 

Com uma narrativa ágil e bem encadeada, construída a partir de uma diversificada pesquisa documental em Portugal e no Brasil, a historiadora destaca, por exemplo, a atuação do marquês do Lavradio e de Luiz de Vasconcelos e Souza no período. Seguindo diretrizes de ministros ilustrados, como Martinho de Melo e Castro e D. Rodrigo de Souza Coutinho, os vice-reis conjugaram a dupla empreitada de defender os interesses portugueses no sul e incentivar o progresso científico na capital do Estado do Brasil. Esta é uma das principais chaves para entender Cultura letrada e cultura oral no Rio de Janeiro dos vice-reis. 
Outra possibilidade é percorrer o caminho pavimentado pela autora; espécie de pano de fundo para o entendimento da produção de uma cultura letrada nos moldes da ilustração portuguesa: a reforma da Universidade de Coimbra, em 1772; a criação de órgãos de censura; e o trânsito de gente natural do Rio de Janeiro por Instituições de Ensino europeias, dentre outros aspectos.
A ausência de imprensa e de universidade na América portuguesa e o crivo da censura metropolitana não impediram, no espaço colonial, a assimilação de uma cultura letrada por meio de livros e impressos diversos que aqui circulavam. Uns transmitiam o pragmatismo da Coroa para instruir os habitantes, por intermédio dos governantes, sobre o aproveitamento das riquezas naturais da Colônia. Outros, considerados perigosos por seu conteúdo, especialmente sobre religião e política, foram combatidos, como os jornais que noticiavam a Revolução Francesa e tiravam o sono do conde de Resende. Apesar do zelo das autoridades, a entrada desses papéis pelo porto do Rio, de grande efervescência na segunda metade do século 18, foi inevitável. Esses escritos, trazidos  por estudantes, burocratas, mercadores, alimentavam conversas privadas e em lugares públicos (as boticas, os mercados), espaços de sociabilidade onde uma população, em grande parte iletrada, consumia os textos por meio de leituras coletivas. Críticas ao rei, às leis da monarquia e ao clero exaltavam os ânimos e animavam a parolagem dos colonos, constituindo também um traço importante da cultura ilustrada luso-brasileira. 

UNESP, 351 PÁGINAS <<http://www.estantevirtual.com.br/q/cultura-letrada-e-cultura-oral-no-rio-de-janeiro-dos-vice-reis>>

VI ENCONTRO CULTURA E MEMÓRIA: GOLPE DE 1964: CULTURA E MEMÓRIA. (22 A 25 DE ABRIL DE 2014)

Local do Evento

Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH)
Universidade Federal de Pernambuco
Campus Recife 



Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
08h00min às 09h30min
Inscrições.
Minicursos
Minicursos
Minicursos
10h00min às 12h00min
Mesa 01
“Ditadura Militar e Civil no Brasil: Dispositivos de Poder”. Renato Pinto (UFPE)
Regina Beatriz Guimarães Neto (UFPE); Marina Franco (Instituto de Altos Estudios Sociales, Universidad Nacional de San Martín, Buenos Aires, Argentina); Antonio Torres Montenegro (UFPE).
Mesa 02
“Pensando o Ensino na Ditadura Militar”.
Adriana Maria Paulo da Silva (UFPE).
Participantes: Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ/FGV); Ramon de Oliveira (UFPE); André Ferreira (PPGE/UFPE)

Mesa 04"Trajetórias e sociabilidades intelectuais: entre produções artísticas e experiências culturais". Flávio Weinstein (UFPE); Antonio Paulo Rezende(UFPE); Profa. Joana D´Arc (PCR); Heloisa André Pontes. (UNICAMP)
Mesa 06.
"Igreja Católica e atuação na sociedade nos anos da ditadura civil-militar".Severino Vicente (UFPE); Profa. Sylvana Brandão (UFPE); Claudefranklin Monteiro Santos (UFS);Newton Darwin de Andrade Cabral (UNICAP); Gilbraz de Souza Aragão (UNICAP).

Almoço
Almoço
Almoço
Almoço
Almoço
14h00min às 18h00min
Grupos de Trabalho.
Sessão de Cinema e mesa de debates.
Coord. Isabel Guillen.
Grupos de Trabalho.
Sessão de Cinema e mesa de debates. Coord. Isabel Guillen.
18h30min às 21h00min
Conferência de Abertura Carla Rodeghero.(UFRGS)
“As heranças da ditadura, a anistia e o papel do esquecimento”.
Mesa 03
O Estado autoritário e seu legado.Maria do Socorro de Abreu e Lima (UFPE);
 Enrique Serra Padrós (UFRGS); Maria do Socorro Ferraz Barbosa (Comissão da Verdade - PE), Christine Rufino Dabat (UFPE).

 Mesa 05
Homens e Mulheres em Tempos Sombrios: trajetórias e memórias no Brasil da Ditadura Civil-Militar.  Antonio Jorge Siqueira(UFPE); Natália Barros(UFPE); José Batista Neto(UFPE); Alcileide Cabral (UFRPE)
Conferência de Encerramento.
 Dulce Pandolfi. (CPDOC) “O golpe de 64: disputas entre a história e a memória”.
Local: Universidade Federal de Pernambuco.
Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas.
Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas e salas de aula do 2º andar.
Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas e salas de aula do 2º andar.
Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas e salas de aula do 2º andar.
 
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A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE. O vídeo é uma produção do site Café História e a Café História TV.


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