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O MERCADO DE SÃO JOSÉ, PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE PERNAMBUCO COMEÇA O ANO DE 2015 COM PÉ ESQUERDO

Mercado de São José. Dezembro de 2014. 
Pernambuco lamenta os últimos acontecimentos com um dos mais significantes patrimônios históricos do estado, o secular Mercado de São José, símbolo de modernidade no final do século XIX vem sendo prejudicado com a falta de energia  constante. O imprevisto tem influenciado no fluxo de turistas que diminuiu devido a outro problema, os pequenos furtos que vem sendo constantes e noticiado nos diversos jornais do Estado. 


Nossa preocupação com este patrimônio está ligada a sua importância histórica e sua significação para a sociedade pernambucana daquele século e da atualidade; Similar ao Mercado Central de Paris, que não existe mais, o grande empreendimento ergueu-se sob a canetada do presidente da província daquele momento, o Barão de Lucena, todo armado em ferro e cantaria. Ponto de referência para turistas e moradores de Recife é possível encontrar diversos produtos dos mais diversos segmentos. 

Os problemas ainda estão por resolver, a empresa competente ainda não concluiu os trabalhos de reparo, enquanto isto os comerciantes trabalha a luz de velas.


HISTÓRIA PELO PALADAR

Se é de Pernambuco conhece o bolo de rolo, o Souza Leão, as iguarias todas que fazem parte da cozinha nordestina. Muita comida contando história, prato cheio para estudantes da história da alimentação nessa região do Brasil. A mata norte de Pernambuco se revela como uma grande divulgadora de uma área pouco explorada, a cozinha pernambucana e suas faces. 

FESTIVAL DE GASTRONOMIA DA MATA NORTE
O “Festival de Gastronomia da Mata Norte” é um evento inédito na região da mata norte do Estado de Pernambuco, a acontecer no Museu e Ponto de Cultura Poço Comprido, localizado no Engenho Poço Comprido, município de Vicência, PE, durante três dias de evento, envolvendo a culinária desta região e seus chefs, Cozinheiros e proprietários de restaurantes, promovendo atividades com foco para a tradicional culinária regional e a qualidade das mesmas. O festival contemplará mostra gastronômica, degustação,palestras, minicursos, aulas shows, apresentações culturais e concurso de cozinheiro, onde serão premiados os melhores pratos regionais de acordo com a programação do evento. Os palestrantes e monitores são Professores, Chefs das faculdades e universidades de gastronomia da Cidade do Recife. Haverão apresentações culturais durante os dias do evento, com grupos da Cidade de Vicência: Mamulengo Flor do Jasmim, Cacá Violeiro, Tropeiros Cia de Dança, Capoeira Raízes de Angola e Maracatu Estrela Formosa. Para os minicursos e palestras haverá previamente inscrições através do Site “festivaldegastronomiadamatanorte.webnode.com”, acompanhando as atividades do evento. Haverão stands de exposição e comercailização da gastronomia a base da banana, cana-­de-­açúcar, macaxeira, uva, milho e demais ingredientes da culinária pernambucana. Exibições de filmes que retrata a cultura do açúcar e os engenhos em moagem na região da mata pernambucana nos anos 60. O festival tem o papel de sensibilizar os trabalhadores da comedoria regional da Mata Norte deste Estado, incentivando­-os a ampliarem seus conhecimentos, melhorarem sua técnica e estrutura, valorizando a rica culinária herdada dos nossos antepassados e que saboreia o nosso dia-a-­dia, podendo gerar renda a população local e regional.
Joana D’Arc Ribeiro
 Coordenação Festival de Gastronomia da Mata Norte



ISSO AQUI É UMA VERDADEIRA ALIANÇA!


Por Uenes Gomes Barbosa

Crendo que os municípios brasileiros, sobretudo os de Pernambuco tem muito a nos informar, damos sequencia aos artigos historicizando nosso entorno, compreendendo a importância de sabermos sobre nosso lugar. Aliança, limítrofe com Vicência, é um município que transborda cultura. Ali nasceu o maracatu, berço de manifestações culturais e de grande nome da cultura, mestre Salu, os aliancenses assim como os demais pernambucanos, buscam significados para sua existência, sua identidade. Escrevendo a partir de um município relativamente distante, precisamos nos reportar a dados já escritos e pouco divulgados, porém acessíveis em livros especializados nessa veia historiográfica. 

Igreja Matriz. Nossa Senhora das Dores
Foto; Petrônio Barros - Wikimedia Commons
O que identifica aquele povo, seu nome, decorre da constituição de três parentes, irmãos de uma família que por serem unidas fundaram uma capelinha de taipa. A construção intensificou o desenvolvimento da localidade mas como é de praxe não cita os primórdios dessa localidade, desprezando a contribuição dos indígenas e enfatizando ação ímpar da Igreja como precursora e construtora do modus vivendi da região. Inclusive pela fraternidade, valor recorrente no povoado, o Frei Caetano batizou a paragem dizendo "isso aqui é uma verdadeira aliança!" num de seus pronunciamentos. Esse relato inicial de como se constitui o povoado e o nome de batismo são preservado naquela região até o presente, tendo respeito à tradição oral. 

Na sua constituição legal, as leis outorgadas na época cria o distrito de Aliança pela Lei Municipal nº 5, de 30/11/1892. Em 1909 o distrito foi elevado a Vila. Quando em 1928 criou-se o município de Aliança o território foi desmembrado de Goiana, uma parte e de Nazaré, ambas constituindo um território que compreende cerca de 272,728 km². No momento da criação e regulamentação da nova unidade municipal Aliança contava com os seguintes distritos: Sede, Lagoa Seca (Upatininga) - que figura com esse nome no quadro administrativo municipal na década de 30 -, Nossa Senhora do Ó (Tupaóca) e Lapa. Na década seguinte, vamos encontrar Aliança disposta da seguinte forma: Sede, Lapa,  Tupaóca e Upatininga, portanto quatro distritos, esta configuração ficaria fixada pelo Decreto-lei estadual nº 235 de 9/12/38, para vigorar de 1939 a 1943; O período de 1944 a 1948 é marcado pela alteração do nome de Lapa para Macujê em Decreto-lei nº 952 de 31/12/1943. A sua comarca foi instalada em 1938 e num dado momento comutou com a de Vicência que havia sido desmembrada de Nazaré da Mata. Dados da década de 1950 apontavam a educação acessível apenas à 12,9% daquela população. Naquele momento duas bibliotecas funcionavam. Tinha um hotel, uma pensão e um cinema que comportava 180 lugares. Veja algumas imagens da cidade nas décadas de 30 a 50. 
Vista Parcial da Feira
Rua Domingos Braga 
Praça Dr. Alfredo Pessoa
Vista Parcial da Cidade 
Grupo Escola Prof. Joaquim Lira
Ambulatório Major Belarmino Pessoa
Serviu de consulta depoimento de Manoel Ribeiro Duarte; Denise Barros transcrito da Enciclopédia dos Municípios brasileiros, Vol XVII; IBGE, 1958.

CURSO: HISTÓRIA DA CULTURA PERNAMBUCANA


O Curso denominado PEQUENA HISTÓRIA DA CULTURA PERNAMBUCANA, COM ÊNFASE NA REGIÃO DA MATA NORTE, tem como objetivo:  apresentar, a estudantes, professores de história e de história da cultura, e cidadãos interessados no conhecimento da sua cultura, uma visão de como vem sendo formada e moldada a cultura pernambucana ao longo da História do Brasil, mas com dois grandes vetores: 1. O período republicano e 2. A criação coletiva de grupos populares em Pernambuco, especialmente alguns da Mata Norte. 

As inscrições seguem até dia 19 de setembro (sexta-feira), pelo site/blog: http://hcpernambucana.blogspot.com.br/p/inscricao.html 
Os interessados poderão tirar dúvidas sobre o curso através do próprio blog ou pelos contatos que estão no panfleto.

VICÊNCIA NOS TRILHOS DA USINA BARRA

FOTO. https://www.facebook.com/EngenhosDeMinhaCidade
Usina Barra e seu complexo industrial. Nota-se na frente da estrutura
uma estrada de ferro cortando o parque ao município
Por Uenes Gomes Barbosa

Ainda no Império, precisamento no governo de Pedro II, a expansão das linhas férreas no sul do país inaugurava a revolução industrial no Brasil - tardia. Nos anos seguintes todas as regiões começaram a se integrar através das estradas de ferro (logrando êxito ao empreendimento); Partindo das capitais para os interiores do estado afim de ajudar a escoar a produção agrícola e também diminuir os dias de viagem de passageiros que outrora passavam semanas sob lombos de burros, carruagens e nesta região os carros-de-boi, por vezes em situações precárias, os trens e sua rapidez vêm dar um conforto a mais aos habitantes. Em Pernambuco o Interior se ligava ao Recife pelos ramais que integravam os trechos mais inóspitos daquele momento. As importantes cidades desse estado tinham sua conexão com a capital através das linhas férreas que adentravam mata adentro e desbravava locais antes impossíveis de chegar com o objetivo de trazer a "modernidade" e consolidar um estado integrado às intenções nacionais. O destaque maior para esse período de desenvolvimento durante o Império não vai para Pedro II e sim Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá grande industrial do Brasil Império e responsável por colocar o Brasil nos trilhos.   

Goiana, Timbaúba, Aliança, Nazaré, Carpina, Limoeiro, Lagoa do Carro... São cidades que ostentam resquícios desse período das locomotivas; Localizações visíveis do percurso dos trens que transportavam gente a toda a sorte são comuns nos dias atuais e que são verificáveis. 

No entanto cidades importantes no período da expansão dos trilhos pelas cidades do interior de pernambuco não foram contempladas, muito embora projetos disto havia documentado como é o caso de Macaparana. Mas Vicência, próspera, com Usinas e Engenhos de açúcar em pleno vapor não tivera o luxo de ter uma estação ferroviária nos seus arredores Por uma série de fatores. Contudo a Usina Barra constrói uma linha férrea que liga a cidade ao parque industrial açucareiro. O objetivo era meramente comercial, pois o transporte da cana pelo meio mecanizado, isso, usando os trilhos era mais eficiente e aumentava a eficiência na produção do açúcar. Se as Usinas representavam a modernidade manter burros e cavalos como transporte do produto era retroceder no processo revolucionário. Manuel Machado de Souza e Gustavo Costa são os informadores dessa partícula curiosa de Vicência que consegue sua autonomia ainda no século XIX. 

PANORAMAS SINGULARES DÃO O TOM DE BOM JARDIM.

1. Fotografia retrata um dia festivo na cidade de Bom Jardim, na primeira república. 
Cidade do agreste de Pernambuco, o topônimo sugere que tenha surgido entre um jardim pomposo e variado de espécies mas abundante de ipês, tendo sido batizado por um padre com o nome Bom Jardim por ser um lugar aprazível de se viver e ali crescia frondosas árvores desta espécie. Notadamente hoje é conhecida como a cidade dos Paus D'arco, ainda abundante sua presença na região. 
2. Mapa mostra posição da Vila de Bom Jardim já em 1827.
Afirmando a importância da nova localidade
Em Bom Jardim nasceu o grande político Barão de Lucena, que governou este Estado e ocupou cargo importante no Tribunal de Justiça durante o Império do Brasil; Lá também é berço de Mário Souto Maior, escritor renomado no campo da antropologia cultural; Autoridade em Cultura Popular Mário Souto Maior acaba sendo a maior referência no assunto em todo o Brasil na época em que esteve pesquisando. Fundada ainda durante o Império, Bom Jardim pertencera ao município de Limoeiro, esta detinha um território considerável por essa região. Grandes engenhos se ergueram nesse município, levando em consideração sua extensão territorial a partir de seu desmembramento vamos encontrar na parte alta do Vale do Siriji, o Engenho Patos, grande marco no desenvolvimento do povoado de Mugunga, depois Sirigy, bem como em âmbito regional. Mas em Bom Jardim um Engenho fez história, por ser um dos mais modernos do estado: O Boa Esperança, palco das reuniões do abolicionista Joaquim Nabuco. Na galeria da história encontramos almocreves, tropeiros, assentando acampamento no entorno do pequeno lugarejo, na perspectiva de chegarem ao Recife transportando algodão e sem intenção vão criando pontos de paradas, e por volta de 1757, 24 de dezembro de 1757, instala-se a freguesia de Bom Jardim, tendo seu primeiro vigário o Pe. José Inácio Teixeira. Parece-nos que quando a Igreja começa a marcar sua presença naquele território o nome sugerido era Curato de Sant'Anna. 

Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, volume 18, apoiado nos depoimentos do já citado Mário Souto Maior e de Moacir Souto Maior, aquela paragem foi aumentando e de sobremaneira pontos importantes surgiram, depois fundado ali um curato sob a invocação de Nossa Senhora Santana, marco importante para a intensificação da construção de moradias ao derredor da capelinha. Muito romanceado consta no livro que "os pássaros enchiam a manhã com seu trinado. Um riacho acompanhava a orla da floresta, onde árvores frondosas protegiam o bebedouro das aves [...] então um lindo passarinho multicolor veio posar em um pau d'árco, quase que se fundindo com o colorido da árvore. Nesse momento o padre viu como o local era apropriado para um vergel e exclamou: 'Que bom jardim! De hoje em Diante vai se chamar curato de Bom Jardim!" (IBGE, 1958, pág. 65)


Informações úteis da formação administrativa devem ser rememoradas. A criação da freguesia fica datada de 1757 através de um alvará de agosto de 1800. A Lei provincial nº 922, de 19 de maio de 1870, cria o município. De acordo com os quadros de divisão territorial datados de 31 de dezembro de 1936 a 31 de dezembro de 1937, o referido município compõe-se dos distritos, Bom Jardim, Bizarra e São Paulo este sendo extinto em 1938. Outros decretos-lei desse período criam distritos e precisamente o Decreto-lei estadual nº 1117, de 14 de fevereiro de 1945 transfere o distrito de Urucuba para Limoeiro. Urucuba é o nome de Cedro, que durou apenas quatro anos, de 1944 a 1948.


Completando 143 anos de emancipação política, Bom Jardim é ameaçada a perder seu distrito Umari. Os registros de memória duma época dourada pouco se encontra, a influencia, ora portuguesa, ora francesa nas paredes dos antigos casarões foram derrubados e deram lugar a arquitetura reta e sem charme. Aos pouco é substituída pelas cerâmicas uniformes. Alguns dos registros do período imperial parece resistir no centro histórico, mas ninguém sabe até quando.

3. Vista do Forum e o Centro de Cultura Bonjardinense

4. Matriz de Sant'Anna 
5. Educandário Raimundo Honório
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As fotografias.
 1. Site da paróquia de Sant'Anna;
 2. Mapa obtido no site Old Maps;
 3-5. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, Vol. XVIII.

MUSEU POÇO COMPRIDO CONVIDA

Tombado pelo IPHAN, o Engenho Poço Comprido é referência em preservação desde que passou a ser administrado pela AFAV. O patrimônio reúne um conjunto arquitetônico sui generis que aguça a imaginação dos visitantes. O engenho situa-se no Vale do Siriji, faixa meridional a capitania de Itamaracá, não tão emblemática como a sua vizinha Pernambuco, fato este só veio a ser povoada a partir de 1760 (fatores administrativos levaram ela ao atraso). Historicamente é importante por ter sido palco de uma importante reunião de reorganização estratégia ante os fracassos que os revoltosos da confederação do equador tiveram em Recife e Paraíba do Norte sob a liderança de Frei Caneca. Agregando valores ao monumento, a saber, ele é o único engenho de características tão marcantes remanescente do século XVIII em Pernambuco.  No entanto falar do Poço Comprido é tratar da luta que a AFAV trava constantemente com o IPHAN  para manter esse tesouro arquitetônico do período açucareiro de pé. E essa batalha ante as intempéries governamentais será debatido na 12ª Semana dos Museus na forma de seminário cujo tema você ver no convite exposto aos interessados. Sabendo do valor histórico-cultural que Poço Comprido tem para a região provoca-se aos municípios adjacentes que mobilize sua comunidade para reivindicar respeito aos patrimônios que ainda resistem de pé, mas sabendo que amanhã não poderão mais estar lá; que reivindique o movimento cultural que você ouviu sua avó contar que é algo do tempo de criança dela, mas está morrendo pelo esquecimento, pela falta de incentivo e de pertença àquelas práticas, a falta de identidade. Sua presença marcará positivamente a causa e enriquecerá o debate. É hora de falar de identidade, falar do nosso povo, da gente. Poço comprido é fruto de uma luta coletiva, de pessoas que acreditaram que a memória era importante e a AFAV é peça importante na conquista. Traga seu patrimônio para o centro do debate, discuta. 
 
Clique no convite para ampliar

UM NOVO MUSEU PRESTES A SURGIR NA MATA NORTE

Detalhe do teto, mostrando o esplendor do barroco. 
Engenho Bonito - Nazaré da Mata. A propriedade dos Vieira de Melo passará por uma ampla restauração visando o turismo e a reimplantação de uma fábrica de rapadura, parte do projeto do restauro da moita, posteriormente surgirá, com a ação mais um museu na mata norte. Contudo o que encanta e ascende a expectativa dos transeuntes e munícipes é a capela, reconhecida pela suntuosidade e ostentação, tornando ela peculiar por estar na zona rural. Sobre os Vieira de Mello sabemos que são uma importante família presente na historiografia brasileira, sobretudo atuantes no período de rompimento entre a Portugal e Brasil, onde se mostraram favoráveis à corte portuguesa, pois previam adotar as reformas constitucionais que acontecia além-mar, formaram a junta de goiana e expulsaram o representante do reino em Pernambuco, o Gal. Luís do Rego. Na capela destaca-se a nave, a capela mor, o coro, a sacristia, o batistério e as galerias laterais. Tombada em 1949, desprezada pelas políticas patrimoniais, o marco na construção religiosa do Pernambuco Católico e açucareiro tomba gradativamente. 

 
Vídeo postado por João Pedro Cavalcanti

MAIO: MÊS DOS MUSEUS

Foram encerradas na última quinta-feira (20), as inscrições para a 12ª Semana de Museus, que acontecerá de 12 a 18 de maio com o tema Museus: as coleções criam conexões.
Seguindo uma tendência que se repete a cada edição, a temporada de eventos terá participação recorde de museus e outros centros culturais: um total de 1.337 instituições inscreveram eventos e garantiram sua participação.
Para o presidente do Ibram, Angelo Oswaldo, os números mostram o dinamismo do campo museológico brasileiro: "são mais de 4 mil ações que movimentarão o campo cultural brasileiro ao longo do mês de maio, trazendo, inclusive, reflexos positivos na economia", avalia.
Participação nacional 
Ao todo, foram  cadastrados 4.268 eventos. A edição deste ano contará com 614 cidades participantes, distribuídas pelas 27 unidades da federação. A região Sudeste, com 533 instituições inscritas, concentra o maior número de museus e centros culturais envolvidos, seguida pelas regiões Sul (336), Nordeste (299), Centro-Oeste (95) e Norte (74).
O tema da 12ª edição da Semana de Museus segue o mote do Dia Internacional dos Museus, definido pelo Conselho Internacional de Museus (Icom). O tema sugerido para 2014 lembra que os museus são instituições vivas que ajudam a criar vínculos entre visitantes, gerações e culturas ao redor do mundo.
Criado em 1977 pelo Icom, o Dia Internacional de Museus tem como objetivo sensibilizar sobre o papel dos museus no desenvolvimento da sociedade. O Brasil é considerado um dos países que mais celebram a data.
A edição 2013 da Semana de Museus, que teve como tema Museus (memória + criatividade) = mudança social, envolveu 1.251 instituições e contou com 3.910 eventos em 535 municípios brasileiros. Confira resultado de pesquisa com participantes da 11ª Semana de Museus.

Texto: Ascom/Ibram
Edição: Ascom/MinC

HÁ 50 ANOS O ENGENHO FUNCIONAVA, HOJE NÃO HÁ REGISTROS DE ONDE ERAM A CAPELA E A MOITA

Limpeza no engenho trará surpresas 

Por Cleide Alves

JC online

MPPE exigiu dos proprietários do Engenho Amparo, em Itamaracá, mais zelo com o monumento, que é tombado / Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

MPPE exigiu dos proprietários do Engenho Amparo, em Itamaracá, mais zelo com o monumento, que é tombado

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

No ano passado, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) exigiu dos proprietários do Engenho Amparo, na Ilha de Itamaracá, mais zelo com o monumento, tombado pelo governo do Estado desde 1986. O primeiro resultado da cobrança foi a retirada de quilos e mais quilos de folhas secas e galhos de mato que escondiam a antiga fábrica, onde a cana era transformada em açúcar e álcool.
A fábrica, de acordo com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), é um imóvel de interesse histórico e arquitetônico, por representar um engenho banguê da primeira metade do século 18. Porém, está em ruínas. Só uma pesquisa arqueológica conseguiria identificar a localização da moenda, da casa das caldeiras e da casa de purgar, diz Ulisses Pernambucano, chefe da Célula de Arqueologia da Fundarpe.
Construído no fim do século 16 ou início do 17, o Amparo tem cerca de 400 hectares, divididos entre cinco proprietários particulares. Dois deles ocupam os trechos com remanescentes do engenho e assinaram um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a Segunda Promotoria de Justiça de Itamaracá, comprometendo-se a preservar o que ainda resta do engenho.
A primeira providência, iniciada em dezembro passado, foi a limpeza superficial da área. O próximo passo é fazer a remoção de árvores grandes que podem colocar as edificações em risco, guiada pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH). Numa etapa posterior, serão apresentadas à Fundarpe propostas para a preservação da fábrica, capela e senzala.
Rejane Strieder, promotora responsável pelo caso, observa que o ideal seria tudo isso ter acontecido anos atrás, quando as edificações apresentavam melhor estado de conservação. Ela instaurou inquérito civil, em agosto de 2013, depois de ser procurada pela Secretaria de Turismo da Ilha. O TAC, informa a promotora, prevê ações preliminares e não encerra o inquérito.
VISITA
Na avaliação do arqueólogo Ulisses Pernambucano, a capela e a senzala (um conjunto de casas), podem ser restauradas. Para a fábrica, sem condições de ser recuperada, ele recomenda a estabilização das ruínas. Os estudos e projetos deverão ser custeados pelos proprietários. O papel da Fundarpe é orientar e aprovar as propostas, diz o chefe da Célula de Tombamento da fundação, Roberto Carneiro.
A capela, do fim do século 18, encontra-se destelhada, com paredes rachadas, piso arrebentado, altar destruído e infestada de cupins. Uma árvore cresceu na nave da igreja. A casa-grande do engenho, possivelmente, encontra-se nas terras compradas pela Associação Beneficente O Pequeno Nazareno. Toda reformada, seria a sede da entidade, hoje sem moradores.
Dona de 50 hectares do engenho, a associação atende crianças e adolescentes em situação de rua, em Itamaracá, desde 2002. “Quando compramos as terras, a casa já era desse jeito”, declara a coordenadora do centro de acolhimento, Rosineide de Oliveira Reiger. A antiga fábrica fica na área da entidade. “Na limpeza, tiramos muita telha e areia das ruínas, o material encontrado está guardado, à disposição da Fundarpe.”
A mata por trás da casa está se regenerando e, com isso, os pássaros voltaram a habitar o local, diz Rosineide. “Fizemos plantio de pau-brasil, temos barriguda e bicho-preguiça”, conta. A ideia da associação é tirar partido da área verde e das ruínas para ajudar na manutenção das edificações históricas. “Poderíamos abrir para visitação e cobrar um valor simbólico”, comenta.
Em 1986, a Fundarpe elaborou projeto para recuperação da fábrica e da capela. “Usaríamos recursos do governo federal, a fundo perdido, mas o proprietário, à época, não se interessou pela proposta”, acrescenta a arquiteta Rosa Bonfim, chefe da Unidade de Preservação da fundação.

Fonte: JC online

ENGENHO POÇO COMPRIDO: UM POUCO DE HISTÓRIA REGIONAL

Casa Grande do Engenho Poço Comprido Vicencia (PE)
Vista parcial da casa-grande e capela do Engenho Poço Comprido antes da reforma.
O Engenho Poço Comprido, forma o conjunto arquitetônico remanescente da sociedade da antiga agro-indústria açucareira pernambucana; hoje pertence à Usina Laranjeiras, mas é a Associação dos Filhos e Amigos de Vicência que faz a gestão do sítio histórico. Único engenho do Brasil tombado nacionalmente pelo Instituto de defesa do Patrimônio Histórico Nacional, o IPHAN, conforme se vê no Livro de Tombo de Belas Artes, no ano de 1962.
O tombamento do Engenho Poço Comprido deveu-se ao de ser ele o único engenho construído no século XVIII em Pernambuco totalmente preservado. Além disso, ele foi construído em uma das primeiras sesmarias da região e deu origem a outros engenhos.
O engenho Poço Comprido está localizado no Vale do Siriji, um conjunto de serras que criou as condições naturais de constituição das nascentes dos rios da chamada Bacia do Rio Goiana e que desempenha o papel de divisor de águas da bacia hidrográfica destes rios da do Paraíba.
Poço Comprido foi construído num trecho da ribeira do Siriji que reunia as condições idealizadas pelos colonizadores europeus do final do século XVII: o outeiro para construir a casa-grande e a capela, de forma a obter o domínio espacial do engenho, o controle operacional dos homens ligados à produção e a submissão das almas dos moradores; um espaço amplo, à vista da casa-grande, para instalação da unidade fabril; um rio como linha de movimento, como estrada para o ir e vir de cargas e pessoas e, sempre que possível, para a produção de força motriz, além de servir do abastecimento, à higiene e à salubridade. O engenho guarda ainda uma área verde considerável no entorno da casa-grande.
No ano de 1824, Frei Caneca, líder da Confederação do Equador, naquela ocasião, ao passar pelo Engenho Poço Comprido, celebrou um grande conselho, em que tomaram parte o capitão José Vitoriano Delgado, então eleito governador das armas, toda a oficialidade dos corpos, sendo então resolvida a instalação da assembléia constituinte do Brasil em um ponto central, onde em liberdade e fora da influência das armas do Rio de Janeiro, ou em outra qualquer província, se pudesse discutir e decretar a constituição ou leis fundamentais do Brasil; pois que de nenhuma outra forma receberiam constituição alguma, que não fosse feita pelos legítimos representantes da nação brasileira, reunida em congresso soberano.
A Associação dos Filhos e Amigos de Vicência, comodatária deste patrimônio, realiza ações que promovem a preservação do conjunto arquitetônico, compreendendo de quatro hectares. Poço Comprido recebe visita de turistas e estudantes. E o engenho tem, sido tema de vários estudos acadêmicos de estudantes em diversos níveis.
No espaço das edificações deste engenho funciona o Ponto de Cultura Poço Comprido com atividades voltadas para a cultura popular local e regional e a educação patrimonial, através de oficinas pedagógicas dentro deste contexto e da realização de eventos que divulguem e vivenciem a cultura desta localidade.
Texto pesquisado por Joana D’Arc , escrito por Joana Darc e Severino Vicente
(Programa do dia 12/02/12)

"ASSUCAR"

O texto que compartilho nesta matéria é da gastrônoma, Maria Lectícia Cavalcanti, uma pernambucana que dedica seus estudos às receitas da cozinha de Pernambuco. Lectícia tem suas fontes na obra de Gilberto Freyre. Mas deixo para que você possa degustar esse assunto lendo a matéria por completo.

Engenho-bangüê em funcionamento na década de 1950 (Engenho Espadas, Pernambuco)
Assim, com essa grafia, Gilberto Freyre deu título a seu livro, em 1939. E escrever sobre o tema, como ele próprio reconheceu, foi mesmo um “ato de coragem”. Que a crítica, conservadora, simplesmente não compreendia como um intelectual de sua dimensão perdia tempo com receitas de doces e bolos, utensílios de cozinha e papel de seda recortado usado para decorar esses bolos e esses doces. Mas ele não se incomodou; sobretudo porque pressentia que tudo aquilo acabaria tendo enorme importância, no futuro que viria.
Começou então a catalogar, cuidadosamente, receitas que chamou “de pedigree – que têm história, que têm passado”. Tanto as aristocráticas, nascidas nas casas-grandes; quanto as de tabuleiro, que se viam nas ruas. De todos os tipos. Com sabor de pecado – beijos, suspiros, ciúmes, baba-de-moça, arrufos-de sinhá, bolo dos namorados, colchão de noiva, engorda-marido, fatias paridas. Doces criados por freiras – manjar-do-céu, bolo divino, papos-de-anjo. Para lembrar fatos históricos – treze de maio, cabano, legalista, republicano. Com nomes das famílias que os criaram – Cavalcanti, Souza Leão. Dos engenhos onde foram concebidas – Noruega, Guararapes, São Bartolomeu. E nome de gente – dona Dondom, dr. Constancio, dr. Gerôncio, Luiz Felipe, Tia Sinhá.
Mais os sabores das festas – Carnaval, Semana Santa, São João, Natal. Sem esquecer xaropes e chás: de flor de melancia (para dor dos rins), de mastruço (gripe), de capim santo (fígado), de cidreira (tosse), de casca de catuaba (impotência).
É através dessas receitas que Gilberto Freyre nos leva de volta à origem da cana de açúcar, à geografia dos primeiros engenhos e ao ambiente das casas-grandes. O açúcar, só para lembrar, chegou à Península Ibérica por mãos mouras. No começo privilégio de nobres e abastados, era então vendido em farmácias para curar doenças respiratórias, cicatrizar feridas, acalmar o espírito. Depois ganhou prestígio ainda maior, quando passou a ser usado na preparação de pratos. E logo se viu que ali “estava uma fonte de riqueza quase igual ao ouro”.
Produzir açúcar passou a ser sonho de reis. Difícil de realizar, na Europa, por exigir solo rico, úmido e, o que quase não havia por lá, especialmente quente. Em busca de fumo e terra para plantar cana, os portugueses chegaram por aqui.
Oficialmente, as primeiras mudas desembarcaram em 1532 – trazidas por Martim Afonso de Souza, para a capitania de São Vicente; e em 1535, por Duarte Coelho Pereira, para a capitania de Pernambuco. Um sucesso; que “encontraram, nesse massapé, solo verdadeiramente ideal para sua floração”.
O primeiro engenho pernambucano completo foi instalado por Jerônimo de Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho, no mesmo ano em que aqui chegaram. Era o “São Salvador”, depois conhecido como “Engenho Velho de Beberibe”. Aos poucos os engenhos foram tomando, nas várzeas dos rios, o lugar que era da Mata Atlântica. Dado se prestarem, magnificamente, “a moer as canas, a alagar as várzeas, a enverdecer os canaviais, a transportar o açúcar”.
Depois se espalharam por todo o Nordeste. Não sem custos. Logo se viu que as primeiras vítimas desses engenhos eram nossos índios. “O açúcar matou o índio”, registrou Gilberto Freyre. Por serem “incapazes e molengas” para esse duro trabalho no campo. Duarte Coelho então compreendera que “o homem necessário à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar era o africano”. Assim nasceu, misturado à doçura branca do açúcar, a chaga amarga da nossa escravidão.
Mas essa adaptação a um cenário novo foi se fazendo aos poucos. As casas-grandes dos engenhos, por exemplo, não foram cópias perfeitas das casas portuguesas. Por conta do calor dos trópicos, as cozinhas ficaram longe das salas e dos quartos, fora de casa, em um puxado. “Debaixo dos cajueiros, à sombra dos coqueiros com o canavial sempre ao lado a fornecer açúcar em abundância”. Era um reino sem homens. “As senhoras portuguesas dominaram aquelas cozinhas”. Mas, sem a ajuda de cozinheiras negras, não “se explica o desenvolvimento de uma arte de doce… exigindo tanto vagar, tanto lazer, tanta demora, tanto trabalho no preparo”.
As receitas, daquele tempo, quase todas, permanecem intactas. Como se o tempo não tivesse passado. Porque, numa “velha receita de doce ou de bolo há uma vida, uma constância, uma capacidade de vir vencendo o tempo sem vir transigindo com as modas”. E é graças à ousadia, à persistência e ao gênio de Gilberto Freyre que hoje, através dessas receitas, podemos compreender melhor nossa história, nossa alma e nosso destino.
RECEITA: DOCE DE MAMÃO RASPADO

Ingredientes:
1 kg de mamão verde
700 g de açúcar
Cravos-da-índia

Preparo:

- Descasque, tire os caroços e raspe o mamão (na parte mais grossa do ralador). Ferva ligeiramente e escorra. 
- Leve ao fogo mamão, açúcar, cravo e um pouco de água. Deixe no fogo até que o mamão esteja cozido e a calda consistente (quando levantar a calda com uma colher de pau e ela escorrer em fios finos).

Maria Lectícia é Pesquisadora. Escreve para Revista Gosto e Caderno Sabores (Folha de Pernambuco). Livros: O negro açúcar, História dos sabores pernambucanos, Gilberto Freyre e as aventuras do paladar, entre outros.

19 de fev. de 2014
Postado por UENES GOMES

A CIVILIZAÇÃO DO AÇÚCAR - DOCUMENTÁRIOS

Reprodução
Excelentes documentários produzidos pela TV Escola e Fundaj, sobre a civilização do açúcar. Como uma planta conseguiu dinamizar uma região de modo que se criasse uma nova sociedade no seu entorno. Diversas autoridades no assuntos, incluindo um belo trabalho de história oral com antigos moradores das propriedades mostradas no vídeo; O poder do patriarcalismo  - presentes na obra de Gilberto Freyre. O estudante e o professor estarão diante de um grandioso documento audiovisual que possibilitará novas descobertas e passar a compreender melhor todo o processo de introdução da cana-de-açúcar no Brasil, sobretudo no Nordeste e em Pernambuco. E partirão para um brilhante trabalho in loco

1º Episódio


2º Episódio


3° Episódio

Excelente material para explanação nas aulas de História de Pernambuco.

CAMPO DAS PRINCESAS REABERTO: PATRIMÔNIO RESTAURADO



Descrição da imagemO Governo do Estado entrega ao povo pernambucano o Palácio do Campo das Princesas totalmente restaurado. A cerimônia de reabertura do Palácio, com a presença do governador Eduardo Campos e de autoridades convidadas, será nesta sexta-feira (14/02), às 18 horas. Todo o interior do edifício foi minuciosamente restaurado, resgatando a dignidade dos ambientes internos e externos e contribuindo para a preservação da cultura do povo de Pernambuco, que tem no “seu palácio” um referencial simbólico dos seus princípios e valores libertários. 

O projeto, orçado em R$ 30,6 milhões, com patrocínio das empresas OI, FIAT, Bradesco, Construtora Odebrecht, Banco Pactual e Chesf, contempla a restauração e modernização de todo o complexo, formado pelo Edifício Sede - que possui três pavimentos - e mais quatro prédios anexos, compostos de dois pavimentos cada e jardins circundantes. Na primeira etapa da reforma, será entregue apenas o Edifício Sede. Mais de 500 empregados trabalharam na restauração e modernização da sede do governo, que iniciou em agosto de 2012. Ainda este ano, serão entregues os prédios anexos e o jardim, que também será totalmente restaurado. 

A restauração do Palácio do Campo das Princesas resgatou as feições originais do edifício, removendo grossas camadas de pintura (em alguns ambientes, existiam 22 camadas), resgatando as cores originais e restaurando os elementos do forro de estuque, as portas e janelas, assoalhos e parquets. Também foi recuperada a cobertura, inclusive com instalação de novas calhas, as claraboias, que receberam novos vidros, os vitrais e as fachadas que tiveram, inclusive, as cores originais resgatadas. 

No Salão Nobre e no Salão das Bandeiras, todo o douramento foi resgatado, valorizando assim toda a ambiência destas salas. No Saguão Central, no térreo, foi recuperada a argamassa pigmentada, revestimento original das alvenarias e pilastras oculto sob diversas camadas de tinta e em péssimo estado de conservação. 

A acessibilidade também foi contemplada na obra. Foram instalados dois novos elevadores, enquanto os outros dois originais foram renovados e modernizados. Além disso, foram construídas rampas de acesso, banheiros acessíveis e um sistema de comunicação para pessoas com deficiência visual e auditiva. 

Além da reforma do Edifício Sede, todas as obras de arte passaram por exaustivo processo de restauração, inclusive as 72 unidades de serralheria artística e seus elementos em Bronze. Também foram recuperados os móveis do Palácio. Fazem parte deste mobiliário peças rebuscadas, com trabalho em entalhe riquíssimo, a exemplo do conjunto Neo-Rococó da Sala de Visitas e mesa do Salão das Bandeiras, em estilo Luís XV. 

O projeto de restauração do Palácio do Campo das Princesas foi aprovado pelo IPHAN/PE e FUNDARPE, elaborado pelo escritório de arquitetura GRAU e pelo atelier de restauração GRIFO, e executado pela Velatura Restaurações, com apoio da Fundação Roberto Marinho. 

A população poderá visitar o Palácio a partir do próximo dia 20/02, uma quinta-feira, em dois horários: das 9h às 11h e das 14h às 16h. As visitações serão agendadas pelo e-mail visitapalacio@governadoria.pe.gov.br. Cada visita terá o limite de 75 inscrições.


FONTE: FUNDARPE
14 de fev. de 2014
Postado por UENES GOMES

JÁ FOI MUGUNGA, MAS NUNCA UNIÃO. A DICOTOMIA DA ORIGEM DO NOME DA VILA SIRIJI

Por UENES GOMES BARBOSA.
Graduando em História FFPG - PE

Este texto é um pequeno relato sobre o nome do distrito de Siriji, que atualmente pertence ao município de São Vicente Férrer - PE, mas que há um tempo já esteve dentro do território de Bom Jardim e num passado mais remoto ainda, ao território de Limoeiro. 

Quem são os fundadores de Siriji? O distrito mais importante de São Vicente Férrer ao longo todos estes anos sempre procurou sua identidade. Seja nos engenhos, no nome do seu rio, no seio do seu povo - na maioria descendentes de africanos que trabalharam escravizados nos engenhos da região -, e porque não dialogando com outros municípios? É sabido que todo município criado é oriundo de um outro, denominado "município mãe" ou no caso do Siriji seria "pai"? Colocando o nosso distrito numa linha genealógico tratar-se-ia Siriji neta de Limoeiro e filha do Bom Jardim, mas deixemos isto de lado e vamos ao que realmente cabe esta postagem inaugural sobre minha região. A Vila Siriji, nos tempos do limoeiro não se chamava assim, tampouco União como vai se encontrar nos livros encomendados e escritos pela elite vicentina. Creio que há um problema com relação ao primeiro nome deste lugarejo - aqui coloco-me responsável por algum equívoco que esteja levantando com relação ao nome do meu lugar -, o nome determinado como União tem na sua origem a afabilidade com que os latifundiários se relacionavam nestas paragens nos tempos do açúcar, uma espécie, ao meu ver uma associação comercial, saída para que os muitos engenhos pudessem lucrar de forma que não desacelerasse o trabalho do outro. 

No entanto a certeza que temos em meio ao montante de peças de um quebra-cabeças que cada vez que se tenta montar, mais complicado ele fica, é que por aqui viveram indígenas da etnia Tabajara. Falo da certeza porque ao pegar uma figura representativa do mapa do território brasileiro da ocupação indígena, na configuração atual e situar a fronteira da Paraíba com Pernambuco e conseguintemente o local onde está a Vila Siriji (fonteira), coincidirá justamente com o local onde, no século 16 habitaram os Tabajaras. Contudo o que nos traz aqui não é a formação territorial mas o nome do vilarejo.
Ficheiro:Slide27.JPG
Distribuição dos povos indígenas brasileiros no século XVI

Insistindo que União não é um nome que batiza o povoado, mas que conseguiu passar por diversas gerações erroneamente pelo fato de ser melhor lembrado quando se pensa no desenvolvimento daquelas fábricas de açúcar, por motivos já apresentados no início do texto. Pois tão duvidoso é que quando movido pela curiosidade busquei na hemeroteca da Biblioteca Nacional algum vestígio sobre esta região acabei deparando-me com alguns "conhecidos" como Vicente Guedes e Manoel Baptista de Lyra, importantes comerciantes do povoado de Mugunga (aparece em 1894 no almanaque na seção de Bom Jardim), que por motivo óbvio foi recenseado pelo almanaque Pernambuco e descriminado na edição daquele ano. 

Para que todos possam compreender o que está sendo exposto, eis uma cópia do documento datado de 1894 citando Mugunga. Depois (não neste, mas noutro documento) perceberemos já São José do Serigy em 1925 fazendo parte ainda do território de Bom Jardim. Logo ao denominarem esta localidade, documentando-a em periódicos já nos fins do século 19 citavam Mugunga. Cabe a pesquisa revelar mais detalhes sobre esta localização geográfica uma vez que em 1844 possivelmente finalizava a construção de uma capela em intenção à Sant'Ana, padroeira do Engenho Patos, mas este é um outro momento da nossa História que será aos poucos debatida e comentada por aqui.



Página original da edição pernambucana do Almanaque Pernambuco de 1894.
Hemeroteca da Biblioteca Nacional

A VIDA NEM SEMPRE BELA DE MARIA BONITA

Integrando todas as fases da história nacional trago hoje uma entrevista sobre uma grande personalidade do cangaço. Vários capítulos da nossa história estudados e escritos acerca de um fenômeno do início das primeiras décadas do século 20. Maria Gomes de Oliveira foi uma mulher polêmica. De temperamento forte, foi pioneira no seu métier. Isso lhe trouxe fama e uma série de histórias controversas, além de um apelido que assustava as pessoas: Maria Bonita.

Neste ano, a mulher de Lampião teria completado cem anos, se viva, no dia da mulher, 8 de março. Aproveitando a data, João de Sousa Lima (Blog pessoal), pesquisador do cangaço, já organizou um evento sobre a primeira mulher a ser cangaceira, e agora lança a segunda edição de seu “A trajetória guerreira de Maria Bonita, a rainha do cangaço”.

João, que tem outros livros sobre o assunto, diz que o livro “narra a vida de Maria Bonita, desde seu nascimento até a morte na Grota do Angico”. Segundo o escritor, a obra passa “por histórias acontecidas na infância, no casamento atribulado com o sapateiro José Miguel, ‘o Zé de Nenê’, os bailes na juventude e a apresentação pelo um tio ao Rei do cangaço”.

O pesquisador afirma que Maria Bonita entrou no cangaço com 18 anos, “no finalzinho de 29” e morreu menos de nove anos depois, em 28 de julho de 1938, junto com Lampião e mais nove cangaceiros na Grota do Angico, em Poço Redondo, Sergipe.

Durante esse período, ela, junto com o grupo de cangaceiros, é associada a situações escabrosas, como assassinatos e torturas cheias de crueldade, como se pode ver na reportagem da RHBN de maio, “Fascinantes facínoras”. (Clique no link) Por outro lado, há muita gente que a considera um ícone. João tenta fugir da polêmica ao explicar que o mais importante é recontar a história, independentemente dos julgamentos: “Maria Bonita e por consequência a história do cangaço tem que ser passada pelo contexto histórico acontecido no Nordeste brasileiro.”

Leia abaixo uma entrevista com o autor:

Revista de História: Como Maria Bonita conheceu Lampião?
João de Sousa Lima: Ela conheceu Lampião em 1929. Foi apresentada pelo tio Odilon Café e estava separada do antigo marido havia 15 dias. Com o cangaceiro, teve quatro filhos: dois abortos, a Expedita e o Ananias, o qual morreu no ano passado tentando provar esta paternidade - o resultado do DNA corre em segredo de justiça.

Capa do livro sobre Maria Bonita escrito por João de Sousa Lima.
Capa do livro sobre Maria Bonita escrito por João de Sousa Lima.
RHBN: Heroína ou bandida? É possível responder a essa questão?
JSL: Maria Bonita se tornou um nome mais conhecido por ser a mulher do comandante supremo do cangaço. Maria Bonita, e por consequência a história do cangaço, tem que ser passada pelo contexto histórico acontecido no Nordeste brasileiro. A questão de bandido ou herói tem dividido opiniões, porém o mais importante é o registro dos fatos acontecidos, não podemos julgar a história de um povo, de uma raça, de uma comunidade. Toda a história desde a criação é repleta de momentos sangrentos, de guerras e de lutas. Precisamos levar para as gerações vindouras esses fatos, sem nada alterar ou modificar como fazem os historiadores irresponsáveis. A polícia, que era quem devia proteger a população, o sertanejo, foi muito pior que os homens e mulheres que viviam à margem da lei. A polícia matou mais, estuprou mais, roubou mais. Muitos desses crimes foram creditados aos cangaceiros. É importante que escritores e estudiosos do tema saibam manter a imparcialidade na hora de retratar os casos e deixem que a história e o tempo decidam essas questões polêmicas e que não cabem no olhar individual de algum analista.

RHBN: Por que a rainha do cangaço se transformou em uma espécie de ícone do movimento feminista brasileiro?
JSL: Ela não se tornou símbolo do feminismo brasileiro, ela se tornou sinônimo de mulher corajosa, decidida, que rompeu parâmetros de uma época para seguir um grupo comandado por um homem que vivia à margem da lei. Pode ter se tornado exemplo para algumas outras mulheres, porém não foi intencional, ela foi para o cangaço apenas por ter se apaixonado por Lampião.

RHBN: Você poderia descrever, em poucas palavras, a personalidade de Maria Bonita?
JSL: Maria Bonita era uma mulher corajosa, decidida, acima de tudo apaixonada pelo homem que ela decidiu seguir. Foi menina, criança, amiga, companheira  e mãe. Tomou banho de chuva, se molhou em biqueiras e barreiros, fez bonecas de pano e de milho, correu, caiu levantou, amou, sofreu, sorriu, chorou, colheu flores, sentiu o calor causticante do sertão, divisou o verde em certos momentos, foi amada, ferida, feliz e sofrida, foi mulher sertaneja, de brio, forte, serena, severa, amamentou, partiu, voltou, tombou crivada de balas, uma mulher comum, porém com uma história diferenciada de todas as outras de sua época e de seu convívio.
2 de fev. de 2014
Postado por UENES GOMES

15 ANOS DA CÁTEDRA GILBERTO FREYRE



O evento em comemoração aos 15 anos da Cátedra Gilberto Freyre tem como tema principal a vida e as obras de Gilberto Freyre. Tal evento visa mostrar a importância deste autor que deu grandes contribuições para o desenvolvimento das ciências sociais no Brasil, abordando suas principais obras e trazendo seus temas para atualidade. Serão abordadas diversas temáticas, dentre elas, Sexualidade, Miscigenação Ecologia, História, Urbanização, Economia, entre outros, e contará com participações de professores da Universidade Federal de Pernambuco e convidados.

Palestrantes:

*Profª Thaís de Lourdes Correia de Andrade
(Coordenadora da Cátedra Gilberto Freyre-UFPE)
*Prof. Drª Edvânia Torres Aguiar Gomes (UFPE)
*Prof. Drª Fátima Quintas (Pres. Academia PE de Letras)
Prof. Dr. Fernando Mota (UFPE)
* Prof. Dr Jacques Ribemboim(UFRPE)
Prof. Drª Liana Lewis (UFPE)
*Prof. Dr Russell Parry Scott (UFPE)
*Prof. Dr Raniery Silva (UFPE)
*Sônia Freyre (Pres. Da Fundação Gilberto Freyre)
 
As inscrições para a COMEMORAÇÃO 15 ANOS CÁTEDRA GILBERTO FREYRE já poderão ser realizadas na própria Cátedra Gilberto Freyre das 09h às 18h até a data 31/01/2014.VAGAS LIMITADAS!

LOCAL:
- A Cátedra Gilberto Freyre fica no 3° andar do CFCH / UFPE.

INSCRIÇÕES:
As inscrições para o evento custarão o valor único de R$ 10,00.
O inscrito terá direito no Ato do Credenciamento à:
*Pasta; Caneta; Bloquinho de Papel Personalizado; texto sobre Gilberto Freyre;

Nos dois dias do Evento 04/02 e 05/02, haverá sorteio de Brindes para os inscritos e haverá no final do Evento 05/02 o coffe break.

COMUNICADO:
A Fundação Gilberto Freyre, irá colocar um stand de vendas de livros de Gilberto Freyre bastante em conta.
É a sua oportunidade de adquirir exemplares com PREÇOS BAIXÍSSIMOS.
Não percam esta oportunidade no dia do evento.

Os Certificados serão enviados por e-mail no prazo máximo de 15 dias, com Carga Horária contendo 12 horas. Para isso só será possível se o inscrito estiver com no mínimo 50% de presença no evento.

 
Informações do site 15 ANOS CÁTEDRA GILBERTO FREYRE

AS ÁGUAS APAGARÃO PARTE DA HISTÓRIA DO AÇÚCAR EM PERNAMBUCO E DA REVOLTA PRAIEIRA

Casa-grande do Engenho Verde será inundada por barragem em Palmares

Cleide Alves. Jornal do Comércio

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem


O Engenho Verde foi um ponto de apoio da Revolução Praieira, a última manifestação popular contra a monarquia e os senhores de engenho ocorrida no Estado / Foto: Hélia Scheppa/JC ImagemNo próximo ano, a casa-grande do Engenho Verde, em Palmares, município da Mata Sul de Pernambuco, será inundada pela Barragem Serro Azul, que está sendo construída para contenção de enchentes do Rio Una e abastecimento humano. O velho bangalô, representante da economia açucareira da região, não será visto nem mesmo no nível mais baixo do reservatório.
Serro Azul vai cobrir o casarão inteiro, do jeito como se encontra hoje, com suas colunas e platibanda (mureta que camufla o telhado) decoradas, arcos, portas, janelas e piso de ladrilho hidráulico. Mas não é só isso. Junto com as paredes, também ficará submersa uma parte da história de rebeldia dos pernambucanos.

O Engenho Verde foi um ponto de apoio da Revolução Praieira, a última manifestação popular contra a monarquia e os senhores de engenho, ocorrida no Estado, de 1848 a 1850. Pedro Ivo, um dos líderes da insurreição, comandou uma frente de batalha nas matas do engenho, no ano de 1849, diz o historiador Aramis Macedo Júnior.

Chefe do Setor de Arqueologia do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), organização social sem fins econômicos, ele pesquisou o assunto para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da barragem.
As terras que serão alagadas do Engenho Verde estão ligadas à luta por liberdade de imprensa e voto universal, pela extinção do poder moderador e pelo fim do monopólio comercial dos portugueses, principais bandeiras defendidas pelos liberais praieiros, no levante contra o governo de dom Pedro II.
De acordo com Aramis Macedo Júnior, as primeiras referências ao engenho, em cartório, remetem a 1792. Era uma propriedade de Miguel Francisco Guimarães e ele havia recebido as terras em sesmaria. Isso não significa que o engenho é uma construção do século 18. “Pode ser mais velho”, pondera.
Até o início do século 20, a área era vinculada ao município de Bonito. Foi incorporada a Palmares numa reformulação municipal. O Engenho Verde também tem raízes culturais. Lá nasceu o romancista Hermilo Borba Filho, em 1917. Uma escrivaninha que ainda decora a sala principal teria pertencido ao dramaturgo, segundo informações repassadas ao Itep.

O bangalô, diz Aramis Macedo, é um tipo simples e comum de estrutura de engenho de cana-de-açúcar: terraço em formato de U, um só pavimento, telhado de quatro águas e platibanda. Passou por reformas ao longo dos anos e mudou de feição. “Houve subtrações e acréscimos”, observa. Fotografias antigas mostram a escada de acesso numa fachada diferente da atual. O porão, fechado com alvenaria, era aberto.

Uma das hipóteses a ser investigada seria o uso do porão como senzala. “Acho inviável por causa da umidade. O escravo era caro e não ficaria numa área insalubre, onde adoeceria com frequência. Pode até ter sido a senzala, mas em algum momento o porão serviu como depósito”, afirma.

Todas as etapas construtivas do engenho serão mapeadas pelo Itep e Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco. A pesquisa está sendo iniciada, no casarão e no terreno. Os arqueólogos vão procurar vestígios da fábrica (onde se produzia o açúcar), capela, senzala e povoado, construções que não existem mais.

O estudo das paredes da casa-grande – tijolos e camadas de pintura – servirão para fazer as datações, por termoluminescência e carbono 14. “Vamos tentar identificar o tijolo mais antigo usado na edificação e analisar as camadas de tinta”, diz Aramis.

O resgate histórico e arqueológico inclui, ainda, o uso de um scanner laser, de alta resolução, para mapear as fachadas do bangalô. Pela riqueza de detalhes captados pela máquina, é possível criar uma maquete 3D da casa-grade, sem perder uma informação do imóvel, diz ele.

“Teremos noções de profundidade, luz e sombra com exatidão”. A casa-grande, hoje, é um hotel fazenda, em processo de desapropriação pelo governo do Estado, responsável pela construção da barragem.

Jornal do Comércio. Artigo publicado em 29/12/13 nesse jornal. Todos os direitos reservados.
29 de dez. de 2013
Postado por UENES GOMES

VÍDEO DESTAQUE

A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE. O vídeo é uma produção do site Café História e a Café História TV.


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