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NOVA EXPOSIÇÃO NO RICARDO BRENNAND

A exposição vai ficar no IRB até março de 2015 - Crédito: Paloma Amorim/Divulgação
O Instituto Ricardo Brennand vai receber no próximo dia 20 de novembro, a exposição “Mestres da Gravura”, composta por 144 obras da coleção de gravuras da Fundação Biblioteca Nacional. As obras expostas para o público foram feitas entre os períodos do Renascimento e Iluminismo e são fruto do trabalho de 64 artistas diferentes. A mostra fica no local até o dia 01 de março de 2015 e a entrada custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Informação do Diário de Pernambuco.
10 de nov. de 2014
Postado por UENES GOMES

SOU NEGRO E DAÍ

Sou negro, e daí...
Texto Coletivo.
l - Nasci no Brasil, sou brasileiro
Das minhas origens nunca fugi
Sou negro, e daí...

ll -Nasci negro
Negro cresci
Vivo como negro
E daí...

lll –Negro eu sou
Tenho que assumir
Pois a minha cor
Não vai meu valor definir
Sou negro, e daí...

lV - De geração e geração
Fui gerado
Nos costumes dos negros
Fui educado
Sou negro, e daí...

V – Um dia cansei de humilhação
Fugi correndo pro mato
Sem rumo, sem direção
Só porque negro nasci
Sou negro e daí...

Vl - De ser negro
Nunca vou desistir
Pois está na minha aparência
Os lábios grossos e cabelo pixaim
Sou negro, e daí...

Vl – Gosto de andar descalço
Tenho a pele escura
Cabelo enrolado
Sou negro, e daí...

Vll- Tenho nariz amassado
Olhos da cor de fogo
Cabelo tuim
Sou negro, e daí...

Vlll- Tenho características de negro
Isso não vai mudar
O sangue africano corre em mim
Não há o que negar
Sou negro, e daí...

X- Gosto de tomar banho de rio
De músicas e danças
Como fank,capoeira,axé e samba.
Todas de origem africana
Sou negro, e daí...

Xl- Sou negro e daí...
Sempre fui assim
Diga não ao racismo
Fale alto prá todo mundo ouvir
Sou negro, e daí...

Xll- Todos aqui presentes
Seja branco ou preto
Amem uns aos outros
Amem sem preconceito
Sou negro, e daí...


Autoria da Professora: Maria da Glória Silva e 5º Ano B -2013.

SITE REÚNE MAPAS HISTÓRICOS


Propondo um trabalho mais interligado com outras áreas da ciência, propõe-se nestes link que relaciono abaixo acesso a cinco sites de mapas antigos muito pertinentes para se trabalhar dentro de sala de aula, proporcionando ao estudante maior amplitude sobre o que é o mundo hoje.

http://canaldoensino.com.br/blog/5-sites-para-encontrar-mapas-historicos
30 de out. de 2014
Postado por UENES GOMES

PARA PENSAR O SÉCULO XX


Breve, porém intenso. Assim o século XX começa após a Primeira Guerra Mundial e termina com o fim da URSS. Nesse espaço de tempo caíram impérios, formaram-se países, valores foram conquistados, as indústrias triplicaram sua capacidade, a guerra assolou muitas nações, ditaduras levantaram-se, democracias se formaram, o Brasil conhece duas ditaduras, a economia quebra, a mulher conquista espaço, o cinema é propagado, a busca frenética pelo ouro, a televisão chega ao alcance de pessoas que nunca imaginaram ver aquilo... um pouco de tudo isso reunido em cenas selecionadas por Marcelo Masagão. Um documentário premiadíssimo e que merece a atenção das salas de aula de História. 


O século XX por meio de uma pesquisa de arquivo e tendo como pano de fundo, orientando a narrativa, Freud e Hobsbawn.

"É um filme-memória sobre o século XX, a partir de recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens que viveram neste século. Este filme pretende discutir a banalização da morte e, por correspondência direta, da vida. Noventa e cinco porcento das imagens são de arquivo: Filmes antigos, fotos e reportagens de TV. O filme não tem um locutor e nem depoimentos orais dos personagens envolvidos. A sonorização é toda realizada com músicas, efeitos sonoros e silêncios. A música é de Wim Mertens. O título NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR VÓS ESPERAMOS foi extraído do pórtico de um cemitério de uma cidade do interior de São Paulo." (Press-release) 
21 de set. de 2014
Postado por UENES GOMES

QUEM SOU E O QUE SOU? A NOSSA IDENTIDADE

1. Segundo Imperador do Brasil. Grande precursor da 
formação identitária deste país. Patrono do IHGB.
Não difícil encontramo-nos perdidos quanto a nossa identidade. De onde viemos, quem somos e para onde vamos são indagações que norteiam o pensamento contemporâneo para situar a nós mesmos no gentílico Brasileiro. É uma temática recorrente nas rodas intelectuais, nas academias, universidades e onde haja pessoas falando a língua brasileira. Todos preocupados consigo mesmos: Quem são?!. Mas esta não é uma preocupação exclusivamente do século 21, deste ano, não! Discutir nossas origens, nosso papel social, nosso comportamento, é uma maneira de nos significar e nos reconhecer, e é uma prática desde os primeiros anos deste país.
No século XIX, o Império lutava para manter sua unidade, porque corria-se o risco da cisão e toda a América Portuguesa se desfragmentar como aconteceu na América Espanhola[1]; Contudo Portugal conseguira manter seu território unificado. Logo o Projeto Brasil estava começando a tomar forma e consequentemente o projeto de nação. O IHGB vai promover um concurso onde Francisco Adolfo Varnhagen ganha o prêmio e escreve a primeira obra no brasil sobre o nosso país. No entanto é no segundo reinado que as formas de nação, de estado vão se consolidando. A interpretação do país é uma encomenda do Imperador que mesmo sabendo de todos os problemas que o país enfrentava gostaria de projetar a ideia de uma nação harmônica e que fosse uma narrativa que agradasse a Europa sobretudo. Havia sido excluído desse primeiro texto tudo que fosse negativo ao desenvolvimento intelectual, então nascia uma nação que não tinha negros, que não tinha índios, pois esses sujeitos eram sinais de regresso de incivilidade, e o Varnhagen é mais contundente em afirmar que o nativo é mais tolerável que o negro, pois este foi introduzido depois e representa o atraso do país. Nós vamos ver uma gama de pensadores, estrangeiros escrevendo sobre a formação do Brasil de forma que aniquilaram por completo sua essência. O Brasil é um país sem problemas.
A imagem do Brasil que se queria projetar no mundo era de uma nação branca e civilizada, todo estereotipado ao modo europeu de ser. Isto não mudou muito ao longo do século, tendo se intensificado nos anos posteriores a proclamação da República com os alargamentos das cidades, projetos de imigração... Monta-se uma conjuntura de ideias para reforçar esse branqueamento do país e esconder a verdadeira cara do imenso território brasileiro.
No século XX, a luta incansável pela procura da identidade do país tem retomada, teorias raciais, a construção do mito da democracia racial sustentada por Gilberto Freyre e criticada duramente por Darcy Ribeiro[2].
Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado e mais uma leva de estudiosos ávidos para dar a resposta que todos queriam saber, são combustíveis para responder a célebre pergunta: O que é o Brasil?
Neste relatório sobre o trabalho audiovisual Intérpretes do Brasil, produzido pela Tv Cultura, que reúne vários estudiosos abordando o conceito de identidade pretende-se debater a temática identitária do brasileiro.  Tendo como análise, Darcy Ribeiro a proposta desta narrativa.
Darcy Ribeiro, antropólogo, sociólogo, historiador, etnólogo, foi um estudioso do século XX que procurou sintetizar o que era o país onde ele vivia. Nascido em Minas não negou sua natureza, orgulhoso de sua terra dedicou toda sua vida aos estudos da nossa nação. Enfocando sempre no nativo desenvolveu trabalhos brilhantes e de grande importância para o conhecimento científico nacional. Sendo responsável mais tarde de criar uma universidade a UNB, fruto de conflitos de ideias dentro da Universidade de São Paulo.
A compreensão do país pelo nosso antropólogo se dá a partir de onde ele está. Tomando Gilberto Freyre como exemplo, outro estudioso do Brasil, a visão do analista sobre a casa grande, estando ele, lá, sempre será passivo, não logrando ao cativo a real condição social do indivíduo; Escrever sobre este país usando como fonte olhares exógenos, jamais poderia despir o país que Darcy tanto amou de tal forma que conseguisse entende-lo e por isto é importante notar que Darcy vai na fonte, colhe de lá o embrião que germinará em diversas obras, sempre na perspectiva da alteridade. Mesmo escrevendo sobre o Brasil ele constatou que o que fizera não era tão relevante, era apenas mais uma forma de reafirmar o que o “mundo civilizado” pensava sobre a sociedade ocidental. Ser etnocêntrico pareceu ser o problema dele, olhar a cultura de forma hierárquica. Como se existisse uma cultura superior a outra. E é Franz Boas que traz uma discussão válida sobre isto, ele diz “frequentemente me pergunto que vantagem nossa “boa sociedade” possui sobre aquela dos “selvagens” e descubro, quanto mais vejo de seus costumes, que não temos o direito de olhá-los de cima para baixo”
A construção cultural do Brasil resulta da fusão de três culturas, a europeia, a indígena e a africana. E Darcy reconhece que se colocar o país no centro do mundo, dando real importância a ele, poderemos nos conhecer melhor. Partindo do estranhamento de seus próprios estudos sentiu necessidades de inserir na historiografia novos elementos, sui generis d’um povo sincrético como nós. A apresentação de uma teoria própria nos daria aporte para nos estudar. O seu livro A América e a Civilização trata das diferenças e os certames da nossa população inerente aos da América do Norte. Se não demos certo por quê, e eles se não tinham nada para crescer como chegaram a ser a maior potência econômica do planeta. De sobremaneira é neste livro que ele trata da transfiguração da cultura, posto que é a junção dessas três culturas e dão luz a uma que não nem portuguesa, nem europeia nem africana, é brasileira.
O saudoso professor, criador de teorias e estudioso dos indígenas nos deixa a reflexão sobre o que somos. Se somos realmente uma nação, por que vivemos num país onde as regiões mais parecem autônomas? Há no Brasil uma realidade dialética, onde não ocorreu a desfragmentação física, mas se formos demarcar utilizando os conceitos culturais, há no país vários Brasis. 
Uenes Gomes Barbosa.


1 No século XIX o Brasil era um Império entre repúblicas. Os ventos liberais da Independência das Colônias do Norte e os levantes desencadeados a partir de 1789, influenciaram demais o pensamento da américa.
[2] Brasil Colonial. Luiz Roberto Lopes.

O PESO DA ESCRAVIDÃO

Tráfico negreiro foi um dos negócios mais lucrativos da fase de implantação do capitalismo, mas assombrou a consciência dos que o praticavam. A marca desse passado continua a pesar na história do Brasil.
Laura de Mello e Souza
Departamento de História

Universidade de São Paulo
Membro da Academia Brasileira de Ciências


A escravidão marcou profunda e irreversivelmente a memória e a história do Brasil. Não é possível esquecer que, entre o final do século 16 e o meado do século 19, milhares de seres humanos originários de diversas partes do continente africano foram introduzidos à força na América portuguesa, constituindo um dos negócios mais lucrativos da fase de implantação do capitalismo. Nem que o tráfico negreiro nutriu um número considerável das grandes fortunas da época. 
Grandes comerciantes, homens públicos de destaque e até aqueles que, depois, se disseram defensores da supressão do vil comércio – imposta pelos ingleses em 1850 – e da implantação do trabalho livre, que só se generalizaria após a abolição, ocorrida em 1888, puseram dinheiro nas embarcações que comerciavam africanos entre um e outro lado do Atlântico. Mesmo se consentido e encarado como negócio lucrativo, o “trato dos viventes” – título do livro clássico do historiador Luiz Felipe de Alencastro – não orgulhava muitos dos que o praticavam, assombrando-lhes a consciência e levando-os, assim que possível, a tentar apagar seu passado de negreiros.

Na defesa das cotas encontra-se o sentimento de reparação ante as iniquidades do tráfico e da exploração do trabalho escravo
Consciência que pesa ainda e continuará a pesar, sob as mais diversas formas. Na defesa das cotas encontra-se o sentimento de reparação ante as iniquidades do tráfico e da exploração do trabalho escravo. Na crença de que todos os nossos males advêm da escravidão também. A escravidão é tema recorrente em alguns dos principais ensaios de compreensão do Brasil, como Casa grande & senzala, de Gilberto Freyre, e a desqualificação do trabalho é um dos fios condutores de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Boa parte da melhor historiografia produzida hoje no Brasil versa sobre a escravidão e temas dela derivados.
Tema para historiadores
Conforme ouvi há anos de uma conhecida historiadora norte-americana, o tema da escravidão é, ao mesmo tempo, qualidade e defeito dos estudos historiográficos brasileiros. Não se pode jamais esquecê-lo ou minorá-lo, mas é preciso, também, ultrapassá-lo. Há quantidade de assuntos para se abordar nos trabalhos acadêmicos, ainda mais em universidades tão jovens quanto as nossas – as mais velhas não alcançam sequer um século.
O Haiti, que na época da Revolução Francesa (1789) se chamava São Domingos e era conhecido como a ‘pérola das Antilhas’, contava com uma população na qual 85% eram escravos. Conheceu a primeira grande revolta de escravos negros da história, aboliu a escravidão em 1794 e proclamou a independência em 1804. O processo teve início sob a Revolução Francesa e atingiu o ponto crítico – o da supressão do vínculo colonial – já na época de Napoleão Bonaparte.

Talvez essa triste história de longa duração ajude a compreender os motivos que fazem pesar nossa consciência
Tanto a maioria dos radicais revolucionários (os jacobinos) quanto a dos homens do nascente império napoleônico eram contra a independência e a favor da escravidão, evidenciando as contradições que sacudiam as relações entre as metrópoles e suas colônias. Na França, pregava-se a igualdade entre os homens; nas colônias, deixava-se que interesses mercantis – então obrigatoriamente colonialistas e escravagistas – falassem mais alto.
Para reconhecer a soberania do Haiti, o governo francês exigiu uma indenização de 150 milhões de francos-ouro: algo como 2% do produto interno bruto da França na época (Le Monde, 3/5/2014). Abatida a soma, a ilha pagou 90 milhões e arrastou, até a metade do século 20, uma dívida gigantesca para com o país europeu.
Uma vez independente, o Brasil honrou pagamentos e contraiu dívidas, mas manteve a escravidão por todo o Império, só a abolindo às vésperas da República. Talvez essa triste história de longa duração ajude a compreender os motivos que fazem pesar nossa consciência e que continuam a nortear as escolhas temáticas de nossos historiadores.


O BRASIL DOS ESTRANGEIROS

A TV Senado completa os quatro episódios sobre a História do Brasil, gradualmente disponibilizados no veículo da Casa. Os quatro documentários versam sobre a construção de um país grande, quase impossível manter-se unido ameaçado as vezes pela grande diversidade cultural, analisado por diversos viajantes que aportaram por aqui. Brasil no Olhar dos Viajantes traz análises de exploradores, naturalistas e estudiosos de diversas nacionalidades que vieram ao Brasil em busca de aventuras e em missões científicas. Franceses, ingleses, alemães, holandeses, austríacos, italianos, sem falar dos portugueses (que ficaram) e espanhóis que colonizaram o nosso país. No campo da identidade Jean Marcel (Professor de Brasil Colônia - UFF), juntamente com uma equipe de professores especialistas na temática conduzem os quatro episódios falando sobre nosso povo, costumes, crenças e como se deu a ocupação nestas terras. Como o Brasil é visto lá fora e como é construído pelos próprios brasileiros. 





Vídeos do canal TV Senado no youtube

MUSEU POÇO COMPRIDO CONVIDA

Tombado pelo IPHAN, o Engenho Poço Comprido é referência em preservação desde que passou a ser administrado pela AFAV. O patrimônio reúne um conjunto arquitetônico sui generis que aguça a imaginação dos visitantes. O engenho situa-se no Vale do Siriji, faixa meridional a capitania de Itamaracá, não tão emblemática como a sua vizinha Pernambuco, fato este só veio a ser povoada a partir de 1760 (fatores administrativos levaram ela ao atraso). Historicamente é importante por ter sido palco de uma importante reunião de reorganização estratégia ante os fracassos que os revoltosos da confederação do equador tiveram em Recife e Paraíba do Norte sob a liderança de Frei Caneca. Agregando valores ao monumento, a saber, ele é o único engenho de características tão marcantes remanescente do século XVIII em Pernambuco.  No entanto falar do Poço Comprido é tratar da luta que a AFAV trava constantemente com o IPHAN  para manter esse tesouro arquitetônico do período açucareiro de pé. E essa batalha ante as intempéries governamentais será debatido na 12ª Semana dos Museus na forma de seminário cujo tema você ver no convite exposto aos interessados. Sabendo do valor histórico-cultural que Poço Comprido tem para a região provoca-se aos municípios adjacentes que mobilize sua comunidade para reivindicar respeito aos patrimônios que ainda resistem de pé, mas sabendo que amanhã não poderão mais estar lá; que reivindique o movimento cultural que você ouviu sua avó contar que é algo do tempo de criança dela, mas está morrendo pelo esquecimento, pela falta de incentivo e de pertença àquelas práticas, a falta de identidade. Sua presença marcará positivamente a causa e enriquecerá o debate. É hora de falar de identidade, falar do nosso povo, da gente. Poço comprido é fruto de uma luta coletiva, de pessoas que acreditaram que a memória era importante e a AFAV é peça importante na conquista. Traga seu patrimônio para o centro do debate, discuta. 
 
Clique no convite para ampliar

UM NOVO MUSEU PRESTES A SURGIR NA MATA NORTE

Detalhe do teto, mostrando o esplendor do barroco. 
Engenho Bonito - Nazaré da Mata. A propriedade dos Vieira de Melo passará por uma ampla restauração visando o turismo e a reimplantação de uma fábrica de rapadura, parte do projeto do restauro da moita, posteriormente surgirá, com a ação mais um museu na mata norte. Contudo o que encanta e ascende a expectativa dos transeuntes e munícipes é a capela, reconhecida pela suntuosidade e ostentação, tornando ela peculiar por estar na zona rural. Sobre os Vieira de Mello sabemos que são uma importante família presente na historiografia brasileira, sobretudo atuantes no período de rompimento entre a Portugal e Brasil, onde se mostraram favoráveis à corte portuguesa, pois previam adotar as reformas constitucionais que acontecia além-mar, formaram a junta de goiana e expulsaram o representante do reino em Pernambuco, o Gal. Luís do Rego. Na capela destaca-se a nave, a capela mor, o coro, a sacristia, o batistério e as galerias laterais. Tombada em 1949, desprezada pelas políticas patrimoniais, o marco na construção religiosa do Pernambuco Católico e açucareiro tomba gradativamente. 

 
Vídeo postado por João Pedro Cavalcanti

MAIO: MÊS DOS MUSEUS

Foram encerradas na última quinta-feira (20), as inscrições para a 12ª Semana de Museus, que acontecerá de 12 a 18 de maio com o tema Museus: as coleções criam conexões.
Seguindo uma tendência que se repete a cada edição, a temporada de eventos terá participação recorde de museus e outros centros culturais: um total de 1.337 instituições inscreveram eventos e garantiram sua participação.
Para o presidente do Ibram, Angelo Oswaldo, os números mostram o dinamismo do campo museológico brasileiro: "são mais de 4 mil ações que movimentarão o campo cultural brasileiro ao longo do mês de maio, trazendo, inclusive, reflexos positivos na economia", avalia.
Participação nacional 
Ao todo, foram  cadastrados 4.268 eventos. A edição deste ano contará com 614 cidades participantes, distribuídas pelas 27 unidades da federação. A região Sudeste, com 533 instituições inscritas, concentra o maior número de museus e centros culturais envolvidos, seguida pelas regiões Sul (336), Nordeste (299), Centro-Oeste (95) e Norte (74).
O tema da 12ª edição da Semana de Museus segue o mote do Dia Internacional dos Museus, definido pelo Conselho Internacional de Museus (Icom). O tema sugerido para 2014 lembra que os museus são instituições vivas que ajudam a criar vínculos entre visitantes, gerações e culturas ao redor do mundo.
Criado em 1977 pelo Icom, o Dia Internacional de Museus tem como objetivo sensibilizar sobre o papel dos museus no desenvolvimento da sociedade. O Brasil é considerado um dos países que mais celebram a data.
A edição 2013 da Semana de Museus, que teve como tema Museus (memória + criatividade) = mudança social, envolveu 1.251 instituições e contou com 3.910 eventos em 535 municípios brasileiros. Confira resultado de pesquisa com participantes da 11ª Semana de Museus.

Texto: Ascom/Ibram
Edição: Ascom/MinC

A TRANSIÇÃO DO FEUDALISMO AO CAPITALISMO

Por  Francisco Falcon & Gerson Moura

      As mudanças econômicas que ocorreram no período de transição do feudalismo para o capitalismo, estão ligadas, direta ou indiretamente, ao processo de acumulação primitiva de capital. Essa acumulação se deu nos setores agrícola, industrial e mercantil.
     No setor agrícola, o processo de acumulação se realiza através das transformações agrárias conhecidas como cercamentos ou enclosures, implicando no avanço do capitalismo no campo. Tais cercamentos eliminam as sobrevivências feudais, promovendo a reorganização das parcelas, expropriando rendeiros e parceiros, apropriando-se o senhor das reservas e terras comuns, cercando-as a fim de reuni-las às suas próprias terras para faze-las produzir mais e melhor. Assim, liquida-se o sistema comunitário de exploração, suprimem-se os direitos coletivos sobre as terras, pastos e florestas, provocando a saída de grande contingente de camponeses do campo ou convertendo-os em simples assalariados.
     Praticados intensamente em certas regiões da Inglaterra desde o final do século XV, os cercamentos tiveram nos séculos XVI e XVII um outro caráter suplementar, ou seja, irá substituir o cultivo de cereais pela criação de ovelhas, dada sua maior rentabilidade em função da alta dos preços da lã no mercado internacional, no momento em que as indústrias têxteis se difundem.
     Em outras regiões do continente europeu, os cercamentos, próximos dos centros urbanos, traduzirão mudanças no comportamento da nobreza ou a apropriação de terras valorizadas em termos capitalistas, por elementos burgueses.
    No setor industrial, verifica-se nesse período o aparecimento e expansão acelerada do capital industrial, quer dizer, o capital resultante da aplicação de recursos nas atividades produtivas de tipo artesanal e do seu reinvestimento nessas mesmas atividades.
    Quer seja oriunda do próprio meio artesanal, através de um processo de diferenciação interna, quer seja egressa do setor mercantil, o fato importante é que a burguesia industrial tende a distinguir-se cada vez mais da burguesia mercantil, interessando-se acima de tudo pela expansão da produção industrial. Esta burguesia é a grande responsável pelo desenvolvimento dos diversos tipos de manufaturas que encontramos nessa época. Beneficiária, a princípio, da política de privilégios inerentes ao mercantilismo, ela tende, aos poucos, a combatê-los e contesta-los como instrumentos inadequados e até mesmo nocivos ao desenvolvimento ulterior da produção e dos negócios em geral.
    A manufatura assume nesse processo uma importância muito grande porque é no seu interior que se faz sentir cada vez mais a crescente diferenciação entre os detentores do capital e os que, embora ainda possuam seus instrumentos de trabalho, se subordinam cada vez mais aos primeiros como assalariados. Até que ocorram grandes progressos técnicos, colocando a máquina nas mãos do capitalista, o artesão pode resistir, bem ou mal, à sua completa expropriação, fazendo valer a sua capacidade técnica e artística em defesa de sua autonomia relativa.
    No plano mercantil, a acumulação decorre, na realidade, de duas atitudes inseparáveis do comerciante europeu desde a parte final da Idade Média: pirataria e comércio. O saque das colônias é a fonte mais imediata dessa acumulação, bastando recordar o saque espanhol na América e o inglês na Índia.
    Esgotando-se rapidamente as possibilidades oferecidas pelo saque, é preciso incentivar o comércio, outra fonte de acumulação – veja-se, por exemplo, o comércio com o Oriente em busca das especiarias e com a África em busca de escravos.
    Possuindo a América terras e minas e sendo necessário reunir aí os fatores produtivos para dela obter mercadorias exportáveis, configuram-se as três outras formas assumidas pela acumulação primitiva no plano mercantil: a exploração das minas, a exploração agrícola através das plantações tropicais e, como condição de ambas,  a exploração da mão-de-obra indígena ou importada. Esta última apresenta-se, por sua vez, como fonte de grandes lucros para os comerciantes nela interessados, podendo-se acrescentar aí também os lucros advindos do tráfico dos chamados “escravos brancos” para as colônias inglesas da América do Norte.
    A luta por estas diversas atividades de exploração altamente lucrativas, ou por algumas delas, irá caracterizar as relações internacionais européias do século XVI ao século XVIII, com constantes guerras continentais e marítimas, européias e coloniais, ao longo das quais é possível estabelecer sucessivas “hegemonias”: a dos paises ibéricos no século XVI, a holandesa no século XVII e a inglesa, fortemente contestada pela França, no decorrer do século XVIII.
    A exploração das áreas coloniais possibilitou, assim, a organização de um verdadeiro sistema de acumulação à sombra do domínio exercido sobre a respectiva produção e comércio. Tal “sistema colonial” distingue perfeitamente as características da colonização e do relacionamento com a metrópole entre as chamadas “colônias de povoamento” e as “colônias de exploração”. Em relação a estas últimas é que o referido “sistema” tende a funcionar plenamente com a exportação da produção agrícola ali desenvolvida sos o sistema de plantation, monopolizada pelos comerciantes metropolitanos de acordo com o princípio do “exclusivismo”. Proíbe-se toda e qualquer relação comercial com outras colônias ou com outros países. Ao mesmo tempo, restringem-se as atividades da colônia, no campo da produção, a fim de não haver concorrências com a produção metropolitana. A colônia existe para a metrópole e sua função precípua é possibilitar o enriquecimento da mesma, quer como fornecedora de mercadorias quer como consumidora dos produtos metropolitanos ou importados através da metrópole. No fundo, o sistema colonial é uma peça essencial do próprio “sistema mercantilista”.
    O mercantilismo, como “política econômica de uma era de acumulação primitiva”, integra e coordena estes esforços de uma burguesia em expansão, garantindo-lhe privilégios, lucros, exclusividade, defendendo, em suma, os seus níveis de renda, através da proteção estatal, e assegurando-lhe as bases políticas e institucionais para fazer valer os seus interesses materiais em relação não apenas à nobreza, mas principalmente em relação ao campesinato e aos artesãos, progressivamente reduzidos à condição de proletariado rural e urbano.


B – A LIBERAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA (Formação do proletariado)

    “Dizer hoje que o capitalismo pressupõe a existência de um proletariado já se tornou um lugar-comum, mas o fato de que a existência de tal classe dependa de um determinado conjunto de circunstâncias históricas raras vezes mereceu atenção no passado, em mãos de autores que dedicaram uma boa soma de análise à evolução do capital sob suas várias formas e ao desabrochar do espírito capitalista.” (Dobb, Maurice. A Evolução do Capitalismo”, p. 272-3)


    Na realidade, a liberação da mão-de-obra, principalmente a camponesa, e a conseqüente formação de um proletariado constituem apenas a outra face do processo que denominamos de “acumulação primitiva”. Esta, na verdade, é o processo criador tanto do Capital quanto do Trabalho, como produtos conjuntos. Houve assim o desapossamento ou expropriação de muitos por alguns poucos, através da vantagem econômica ou política.

“Pode ser que um dos motivos para a negligência comum nesse aspecto da questão tenha sido a suposição implícita de que o aparecimento de um exército de trabalhadores fosse um produto simples da população crescente, criando mais braços do que os empregáveis nas ocupações existentes e mais bocas do que as sustentáveis pelo solo então cultivado. A função histórica do Capital foi dotar do benefício do emprego esse exército de braços excessivos. Se fosse esta a história real, poderíamos ter algum motivo para falar do proletariado como sendo uma criação natural, em vez de institucional, e tratar a acumulação e o crescimento de um proletariado como processos autônomos e independentes. Tal quadro idílico, no entanto, deixa de ajustar-se aos fatos. Na verdade, os séculos nos quais um proletariado se recrutou mais rapidamente eram aqueles de aumento demográfico natural lento e não rápido e a escassez ou plenitude de uma reserva de mão-de-obra nos diversos países não se correlacionava a diferenças comparáveis em suas taxas de crescimento demográfico”. (DOBB, Op. cit. p. 273-4)


    A análise do processo histórico de formação do proletariado, ou de liberação de mão-de-obra para as relações capitalistas, pode ser levada a cabo em função dos diversos setores das atividades produtivas: agricultura e indústria.

A liberação da mão de obra na agricultura está ligada ao processo de cercamento dos campos, já descrito, ao qual cabe a maior parte da responsabilidade pela expropriação do camponês, privando-o de suas terras e reduzindo-o à condição de assalariado. De fato, o mecanismo mesmo do cercamento dos campos determina, logo de saída, a perda de suas terras (parcelas) por todos os camponeses que não podem defender juridicamente o seu direito de ocupá-las em caráter hereditário ou vitalício. Quase sempre só os pequenos proprietários (verdadeiros ou ocupantes das terras em caráter hereditário) conseguem manter-se, pois os que possuem terras arrendadas são compelidos, cedo ou tarde, a abandoná-las. Já aí, portanto, temos uma primeira fonte de camponeses sem terras. Aos poucos, porém, o pequeno proprietário cercado, sem as terras e os direitos de uso comum que suplementavam os seus recursos e ainda às voltas com o crescimento familiar e a divisão de terras daí decorrente, vê-se obrigado a abandonar o campo em busca de outras regiões ou então se dirige para as cidades, de onde muitas vezes emigra para as colônias.
    Em muitos casos, porém, a difusão do tipo de manufatura dispersa, ou mesmo a simples atividade do comerciante-empresário que percorre os meios rurais a fim de utilizar a mão-de-obra camponesa, permite o desenvolvimento do artesanato rural, fornecendo ao camponês artesão uma renda suplementar que irá possibilitar a sua resistência, durante um prazo ora maior, ora menor, às pressões do capitalismo agrário, pois surgem as insuficiências dos seus rendimentos agrícolas.
    É evidente que a substituição de muitas pequenas propriedades por algumas poucas e grandes, de que a Inglaterra é o exemplo clássico, não constitui a única forma de desapossamento capaz de fazer surgir um proletariado. A outra forma deriva da tendência à diferenciação econômica existente dentro da maioria das coletividades de pequenos produtores.

“Os fatores principais nessa diferenciação são as diferenças surgidas no correr do tempo na qualidade ou quantidade de terras possuídas e nos instrumentos de cultivo da terra e animais de trabalho, sendo instrumento do desapossamento eventual a dívida” (DOBB, Op. cit .p. 307-311


Na indústria, a liberação da mão-de-obra processa-se de maneira mais lenta, uma vez que as corporações defendem vigorosamente os seus privilégios. Apesar dessa resistência, as corporações foram incapazes de impedir o desenvolvimento da indústria doméstica rural, bem como o aparecimento das manufaturas privilegiadas, de modo que esses novos setores concorrem de maneira crescente com a produção das oficinas corporativas, incapazes de acompanhar a expansão do mercado consumidor. Além disso, dificilmente a produção artesanal urbana do tipo tradicional consegue resistir aos preços mais baratos que caracterizam a produção dos novos setores.
    Acresce notar que as próprias corporações são dilaceradas  e enfraquecidas pelos seus conflitos e contradições internas, opondo cada vez mais os companheiros aos patrões ou mestres. Verifica-se, ainda, no interior mesmo das corporações, um processo de diferenciação que irá dar origem à burguesia industrial, pois, enquanto alguns patrões enriquecidos se transformam em empresários, a maioria dos mestres e companheiros são reduzidos à situação de dependência em que aparecem como semi-assalariados. Desse modo a corporação se desintegra, pressionada por forças internas e externas que irão promover progressivamente o seu desaparecimento, o qual atinge a sua etapa derradeira no momento mesmo em que a burguesia industrial consegue imprimir ao Estado as suas características liberais, hostis, portanto, ao mercantilismo do Antigo Regime. Mestres e companheiros, em sua maior parte, irão constituir, então, a mão-de-obra especializada das últimas manufaturas e das primeiras fábricas, desempenhando um importante papel nessa etapa do desenvolvimento industrial.


C – OS PROGRESSOS DA TÉCNICA APLICADA À PRODUÇÃO

    Os progressos técnicos estão evidentemente ligados às duas “pré-condições” que acabamos de focalizar: capital e mão-de-obra. É a partir das necessidades criadas pelo desenvolvimento da produção e do comércio, típico da expansão européia verificada a partir do século XV, que os progressos técnicos se aceleram. O renascimento científico marca o primeiro momento desse impulso cuja importância se torna decisiva nos séculos XVII e XVIII, quando então a curiosidade científica, a nova mentalidade voltada para a observação e a experimentação abre caminho às conquistas científicas desse período e, concomitantemente, ás possibilidades de aplicação e utilização dos princípios e teorias assim elaborados ao próprio processo produtivo. Trata-se de um capítulo extremamente difícil e controvertido, qual seja o de analisarmos este avanço simultâneo, paralelo ou não, da ciência e da técnica durante os séculos XVII e XVIII.  Nascendo de exigências práticas ou de especulações teóricas, conforme o caso, as invenções se sucedem e abrem novas perspectivas para a solução de problemas que embaraçam determinadas etapas das atividades produtivas.
    No plano da produção propriamente dita, verifica-se a tendência à crescente divisão e especialização do trabalho, vinculadas à necessidade de maior produtividade. Com isso, abrem-se novas possibilidades à utilização de inventos mecânicos capazes de multiplicar o trabalho humano, utilizando a energia hidráulica e mais tarde o vapor. Realmente, sem essa divisão acentuada do trabalho, é impossível entender-se o processo através do qual foi possível inventar máquinas capazes de realizar com maior rapidez e com maior regularidade movimentos simples até então executados manualmente. É evidente que não se poderia esperar, nos primórdios da industrialização, a invenção de máquinas complexas capazes de executar simultânea e sucessivamente tarefas múltiplas. Os progressos técnicos, portanto, permitiram que se inventassem máquinas capazes de multiplicar o trabalho humano sem com isso, no entanto, chegar propriamente a dispensá-lo. Numa segunda etapa, coube à máquina, em função da sua própria natureza e do que ela representa em termos de investimento de capital, acelerar o desenvolvimento do sistema capitalista, desempenhando um papel decisivo no processo de separação entre o trabalhador e os seus instrumentos de trabalho, uma vez que tende a acentuar a distinção entre o capitalista, dono do capital e conseqüentemente das máquinas, e o trabalhador assalariado, que dele depende para a própria sobrevivência, como comprador de sua força ou capacidade de trabalho.
    O advento da máquina, como coroamento dos progressos técnicos e científicos da era pré-capitalista, constitui, ao mesmo tempo, o marco inicial de uma nova era assinalada de maneira cada vez mais acentuada pelo avanço científico e tecnológico e suas aplicações, sempre crescentes, aos processos produtivos. Esta transformação verificou-se historicamente pela primeira vez na Inglaterra da segunda metade do século XVIII, muito embora tenha sido preparada pelos avanços já obtidos desde o século XVI e no decurso do século XVII.  Na Inglaterra do século XVIII verificava-se, com o rápido crescimento do mercado interno e do mercado externo, uma exigência de constante aumento da produção manufatureira, a fim de atender a estas novas possibilidades de venda.
    Para o empresário, este aumento da produção deveria processar-se de tal maneira que a sua margem de lucro fosse preservada e se possível ampliada, o que nos leva ao problema da produtividade. Realmente, o grande problema que está nas próprias origens do maquinismo é a questão da redução dos custos de produção. É fácil entender-se que, mantido o trabalhador, isto é, a mão-de-obra, em condições bem próximas às do seu limite de sobrevivência por força dos baixos salários da época, não seria possível reduzir ainda mais esses salários, pois isto representaria a própria liquidação da mão-de-obra. Medidas paliativas tais como a maior utilização do trabalho feminino e infantil não poderia resolver em definitivo o problema. Daí, como única saída, procurar-se o aumento da produtividade dessa mão-de-obra, que por ser abundante, ganha muito pouco, mas da qual se pretende extrair o máximo possível de sua capacidade de trabalho. A divisão e a especialização do trabalho vão permitir então que, com a introdução da máquina, seja possível resolver o problema. De fato, a máquina multiplica a produtividade da mão-de-obra, pois é possível agora ao mesmo trabalhador executar, com o auxílio dela, tarefas que antes demandariam muitas horas e dias de trabalho ou muitos trabalhadores. É fácil, portanto, compreender que a máquina veio agravar a tremenda exploração que caracteriza os primórdios da revolução industrial, pois agora o empresário capitalista irá procurar, simultaneamente, obter o máximo do capital que investiu na compra ou fabricação da máquina e o máximo do salário pago ao trabalhador, ao só pela própria utilização da máquina, mas pela maior extensão possível do dia de trabalho, o qual não raro atingia 16 ou mesmo 18 horas.


7 de mar. de 2014
Postado por UENES GOMES

VIDA MEDIEVAL - DOCUMENTÁRIO

4 de mar. de 2014
Postado por UENES GOMES

ENGENHO POÇO COMPRIDO: UM POUCO DE HISTÓRIA REGIONAL

Casa Grande do Engenho Poço Comprido Vicencia (PE)
Vista parcial da casa-grande e capela do Engenho Poço Comprido antes da reforma.
O Engenho Poço Comprido, forma o conjunto arquitetônico remanescente da sociedade da antiga agro-indústria açucareira pernambucana; hoje pertence à Usina Laranjeiras, mas é a Associação dos Filhos e Amigos de Vicência que faz a gestão do sítio histórico. Único engenho do Brasil tombado nacionalmente pelo Instituto de defesa do Patrimônio Histórico Nacional, o IPHAN, conforme se vê no Livro de Tombo de Belas Artes, no ano de 1962.
O tombamento do Engenho Poço Comprido deveu-se ao de ser ele o único engenho construído no século XVIII em Pernambuco totalmente preservado. Além disso, ele foi construído em uma das primeiras sesmarias da região e deu origem a outros engenhos.
O engenho Poço Comprido está localizado no Vale do Siriji, um conjunto de serras que criou as condições naturais de constituição das nascentes dos rios da chamada Bacia do Rio Goiana e que desempenha o papel de divisor de águas da bacia hidrográfica destes rios da do Paraíba.
Poço Comprido foi construído num trecho da ribeira do Siriji que reunia as condições idealizadas pelos colonizadores europeus do final do século XVII: o outeiro para construir a casa-grande e a capela, de forma a obter o domínio espacial do engenho, o controle operacional dos homens ligados à produção e a submissão das almas dos moradores; um espaço amplo, à vista da casa-grande, para instalação da unidade fabril; um rio como linha de movimento, como estrada para o ir e vir de cargas e pessoas e, sempre que possível, para a produção de força motriz, além de servir do abastecimento, à higiene e à salubridade. O engenho guarda ainda uma área verde considerável no entorno da casa-grande.
No ano de 1824, Frei Caneca, líder da Confederação do Equador, naquela ocasião, ao passar pelo Engenho Poço Comprido, celebrou um grande conselho, em que tomaram parte o capitão José Vitoriano Delgado, então eleito governador das armas, toda a oficialidade dos corpos, sendo então resolvida a instalação da assembléia constituinte do Brasil em um ponto central, onde em liberdade e fora da influência das armas do Rio de Janeiro, ou em outra qualquer província, se pudesse discutir e decretar a constituição ou leis fundamentais do Brasil; pois que de nenhuma outra forma receberiam constituição alguma, que não fosse feita pelos legítimos representantes da nação brasileira, reunida em congresso soberano.
A Associação dos Filhos e Amigos de Vicência, comodatária deste patrimônio, realiza ações que promovem a preservação do conjunto arquitetônico, compreendendo de quatro hectares. Poço Comprido recebe visita de turistas e estudantes. E o engenho tem, sido tema de vários estudos acadêmicos de estudantes em diversos níveis.
No espaço das edificações deste engenho funciona o Ponto de Cultura Poço Comprido com atividades voltadas para a cultura popular local e regional e a educação patrimonial, através de oficinas pedagógicas dentro deste contexto e da realização de eventos que divulguem e vivenciem a cultura desta localidade.
Texto pesquisado por Joana D’Arc , escrito por Joana Darc e Severino Vicente
(Programa do dia 12/02/12)

O GOLPE DE 64 E A DITADURA PELA HISTORIOGRAFIA MARXISTA



Este vídeo traz o depoimento de Carlos Fico, sobre a análise historiográfica marxista sobre o golpe de 64.

"ASSUCAR"

O texto que compartilho nesta matéria é da gastrônoma, Maria Lectícia Cavalcanti, uma pernambucana que dedica seus estudos às receitas da cozinha de Pernambuco. Lectícia tem suas fontes na obra de Gilberto Freyre. Mas deixo para que você possa degustar esse assunto lendo a matéria por completo.

Engenho-bangüê em funcionamento na década de 1950 (Engenho Espadas, Pernambuco)
Assim, com essa grafia, Gilberto Freyre deu título a seu livro, em 1939. E escrever sobre o tema, como ele próprio reconheceu, foi mesmo um “ato de coragem”. Que a crítica, conservadora, simplesmente não compreendia como um intelectual de sua dimensão perdia tempo com receitas de doces e bolos, utensílios de cozinha e papel de seda recortado usado para decorar esses bolos e esses doces. Mas ele não se incomodou; sobretudo porque pressentia que tudo aquilo acabaria tendo enorme importância, no futuro que viria.
Começou então a catalogar, cuidadosamente, receitas que chamou “de pedigree – que têm história, que têm passado”. Tanto as aristocráticas, nascidas nas casas-grandes; quanto as de tabuleiro, que se viam nas ruas. De todos os tipos. Com sabor de pecado – beijos, suspiros, ciúmes, baba-de-moça, arrufos-de sinhá, bolo dos namorados, colchão de noiva, engorda-marido, fatias paridas. Doces criados por freiras – manjar-do-céu, bolo divino, papos-de-anjo. Para lembrar fatos históricos – treze de maio, cabano, legalista, republicano. Com nomes das famílias que os criaram – Cavalcanti, Souza Leão. Dos engenhos onde foram concebidas – Noruega, Guararapes, São Bartolomeu. E nome de gente – dona Dondom, dr. Constancio, dr. Gerôncio, Luiz Felipe, Tia Sinhá.
Mais os sabores das festas – Carnaval, Semana Santa, São João, Natal. Sem esquecer xaropes e chás: de flor de melancia (para dor dos rins), de mastruço (gripe), de capim santo (fígado), de cidreira (tosse), de casca de catuaba (impotência).
É através dessas receitas que Gilberto Freyre nos leva de volta à origem da cana de açúcar, à geografia dos primeiros engenhos e ao ambiente das casas-grandes. O açúcar, só para lembrar, chegou à Península Ibérica por mãos mouras. No começo privilégio de nobres e abastados, era então vendido em farmácias para curar doenças respiratórias, cicatrizar feridas, acalmar o espírito. Depois ganhou prestígio ainda maior, quando passou a ser usado na preparação de pratos. E logo se viu que ali “estava uma fonte de riqueza quase igual ao ouro”.
Produzir açúcar passou a ser sonho de reis. Difícil de realizar, na Europa, por exigir solo rico, úmido e, o que quase não havia por lá, especialmente quente. Em busca de fumo e terra para plantar cana, os portugueses chegaram por aqui.
Oficialmente, as primeiras mudas desembarcaram em 1532 – trazidas por Martim Afonso de Souza, para a capitania de São Vicente; e em 1535, por Duarte Coelho Pereira, para a capitania de Pernambuco. Um sucesso; que “encontraram, nesse massapé, solo verdadeiramente ideal para sua floração”.
O primeiro engenho pernambucano completo foi instalado por Jerônimo de Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho, no mesmo ano em que aqui chegaram. Era o “São Salvador”, depois conhecido como “Engenho Velho de Beberibe”. Aos poucos os engenhos foram tomando, nas várzeas dos rios, o lugar que era da Mata Atlântica. Dado se prestarem, magnificamente, “a moer as canas, a alagar as várzeas, a enverdecer os canaviais, a transportar o açúcar”.
Depois se espalharam por todo o Nordeste. Não sem custos. Logo se viu que as primeiras vítimas desses engenhos eram nossos índios. “O açúcar matou o índio”, registrou Gilberto Freyre. Por serem “incapazes e molengas” para esse duro trabalho no campo. Duarte Coelho então compreendera que “o homem necessário à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar era o africano”. Assim nasceu, misturado à doçura branca do açúcar, a chaga amarga da nossa escravidão.
Mas essa adaptação a um cenário novo foi se fazendo aos poucos. As casas-grandes dos engenhos, por exemplo, não foram cópias perfeitas das casas portuguesas. Por conta do calor dos trópicos, as cozinhas ficaram longe das salas e dos quartos, fora de casa, em um puxado. “Debaixo dos cajueiros, à sombra dos coqueiros com o canavial sempre ao lado a fornecer açúcar em abundância”. Era um reino sem homens. “As senhoras portuguesas dominaram aquelas cozinhas”. Mas, sem a ajuda de cozinheiras negras, não “se explica o desenvolvimento de uma arte de doce… exigindo tanto vagar, tanto lazer, tanta demora, tanto trabalho no preparo”.
As receitas, daquele tempo, quase todas, permanecem intactas. Como se o tempo não tivesse passado. Porque, numa “velha receita de doce ou de bolo há uma vida, uma constância, uma capacidade de vir vencendo o tempo sem vir transigindo com as modas”. E é graças à ousadia, à persistência e ao gênio de Gilberto Freyre que hoje, através dessas receitas, podemos compreender melhor nossa história, nossa alma e nosso destino.
RECEITA: DOCE DE MAMÃO RASPADO

Ingredientes:
1 kg de mamão verde
700 g de açúcar
Cravos-da-índia

Preparo:

- Descasque, tire os caroços e raspe o mamão (na parte mais grossa do ralador). Ferva ligeiramente e escorra. 
- Leve ao fogo mamão, açúcar, cravo e um pouco de água. Deixe no fogo até que o mamão esteja cozido e a calda consistente (quando levantar a calda com uma colher de pau e ela escorrer em fios finos).

Maria Lectícia é Pesquisadora. Escreve para Revista Gosto e Caderno Sabores (Folha de Pernambuco). Livros: O negro açúcar, História dos sabores pernambucanos, Gilberto Freyre e as aventuras do paladar, entre outros.

19 de fev. de 2014
Postado por UENES GOMES

VÍDEO DESTAQUE

A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE. O vídeo é uma produção do site Café História e a Café História TV.


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