Mostrando postagens com marcador HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA. Mostrar todas as postagens

ZUMBI DOS PALMARES ERA GAY?

Após os festejos que convidam a pensar a situação do negro no Brasil, percebemos que muito temos que esmiuçar em nossa história. O artigo publicado no blog fora do armário, de autoria de Luiz Mott, uma das maiores autoridades na discussão sobre inquisição e de gênero no país, discute a homossexualidade de um herói nacional, começando a perceber a sexualidade dos antepassados que estiveram protagonizando nossa história. Meses atrás uma biografia [não do Mott] contesta a "macheza" de Lampião e nessa narrativa destaca-se elementos que dão a perceber que Zumbi dos Palmares era gay. Vamos ao texto.
(in Mott, Luiz. Crônicas de um gay assumido. Rio de Janeiro, Editora Record, 2003, p. 155-160)
Digo e repito: raramente foi Luiz Mott quem levantou a lebre pela primeira vez de que personagens históricos ou celebridades nacionais eram praticantes do amor que não ousava dizer o nome. Como leio muito, pesquiso sem parar e arquivo tudo o que encontro sobre homossexualidade, ao divulgar que Cássia Eller também gostava do babado, que Mazzaropi era gay, que Collor idem - estou simplesmente repetindo o que outros autores já publicaram em livros, revistas ou jornais ou faz parte de nossa história oral. Ontem mesmo tive uma enorme surpresa ao ler num jornal que um historiador mineiro declarou que Tiradentes também "jogava água fora da bacia" - embora ainda não tenha conhecimento de seus argumentos. Quem tiver alguma pista, me avise!
Com Zumbi a coisa foi assim: um famoso historiador gaúcho, Décio Freitas, autor de não menos célebre livro sobre o Quilombo de Palmares, declarou a outro historiador, Mario Maestri, especialista em escravismo colonial, que só não escrevia que Zumbi era gay porque tinha medo da reação do movimento negro.

Fiquei com a pulga atrás da orelha, pois nunca tinha imaginado que o herói negro pertencesse ao batalhão dos amantes do mesmo sexo. Comecei a pesquisar as biografias de Zumbi e acumulei 5 pistas que sugerem maior identificação de Zumbi como homossexual do que como heterossexual. Portanto, à indagação: era Zumbi Homossexual? a resposta é: provavelmente sim! Zumbi dos Palmares deve ter praticado “o amor que não ousava dizer o nome”.

Dispomos até agora de cinco pistas que sugerem sua homossexualidade, enquanto não há nenhuma prova definitiva de que o líder quilombola era heterossexual. Desafio qualquer historiador a comprovar, com documentos da época, que o maior herói negro das Américas teve alguma mulher ou filhos. Não passa de mera presunção e miopia sexológica imaginar que o simples fato de ter sido guerreiro valente serviria como prova de que sendo do sexo forte, gostava do sexo frágil. Ledo engano: o maior general da Antigüidade, Alexandre Magno, também foi grande em seu amor pelos rapazes. O famoso “Batalhão dos Amantes de Tebas”, todo ele formado de pederastas, destacou-se por sua inigualável valentia. Frederico o Grande da Prússia e Lawrence da Arábia, entre muitos outros, são exemplos mais recentes de que muitos homossexuais foram notáveis guerreiros. Portanto, não há qualquer incompatibilidade entre Zumbi ter sido guerreiro retado e amante do mesmo sexo.

Insisto: não havendo nenhuma prova da heterossexualidade de Zumbi, apresento aqui quando menos cinco pistas que sugerem que provavelmente Zumbi dos Palmares era“chibungo” (termo de origem angolana, corrente na Bahia atual, sinônimo de homossexual masculino). Tais indícios juntos valem mais do que documento nenhum sobre sua improvável heterossexualidade.

Primeira pista: não há evidência alguma comprobatória que Zumbi teve mulher ou filhos. Para um grande chefe guerreiro, a poligamia era privilégio indispensável. Ganga-Zumba, tio putativo de Zumbi, teve três mulheres, sendo duas negras e uma mulata. Porque Zumbi abriria mão deste cobiçado prêmio, considerando que devido à carência de mulheres, os quilombolas da Serra da Barriga tinham de contentar-se com uma mulher para vários homens? Como informa o historiador negro Joel Rufino, “os brasileiros sempre acreditaram que os negros famosos e ricos devem se casar com brancas”, tanto que autores mais românticos inventaram uma mulher branca para o líder dos Palmares. ”Legenda romântica...” conclui o mesmo autor.

Segunda pista: Zumbi era conhecido por um intrigante apelido: SUECA. Esta informação é confirmada por Clóvis Moura, outro respeitado historiador negro. Segundo o dicionarista Antônio Morais, que viveu em Pernambuco no século seguinte à epopéia palmarina, “sueca” já naquela época tinha o mesmo significado de hoje: “mulher natural da Suécia”. Por que um negão, valoroso guerreiro, seria chamado por nome feminino? Debaixo deste angu tem carne! Nesta mesma época encontramos alguns homossexuais denunciados à Inquisição Portuguesa que também eram chamados por apelidos femininos: “A Galega”, “A Bugia da Alemanha“, inclusive um sodomita negro do Benin que apesar do nome batismal de Antônio, jogava pedra em quem não o chamasse de “Vitória”. “Sueca” é apelido mais adequado para um hétero ou homossexual?

Terceira pista: Zumbi, que ficou coxo num acidente de batalha, descendia dos Jagas de Angola, etnia onde a homossexualidade tinha numerosos adeptos, os famosos “quimbandas”, conforme atestam contemporâneos da guerra dos Palmares, entre eles o Padre Cavazzi e o Capitão Cadornega. Se até em sociedades repressivas e anti-homossexuais o homoerotismo tem batalhões de adeptos, nada mais lógico que também no quilombo de Palmares, onde havia grande falta de mulheres, os “quimbandas” fossem aceitos com naturalidade, como ocorre em muitas comunidades onde há desequilíbrio dos sexos, e que Zumbi também fosse amante de um deles.

Quarta pista: Zumbi, descrito como possuidor de “temperamento suave e habilidades artísticas”, antes de fugir para o mocambo, até os 15 anos, foi criado pelo Vigário de Porto Calvo, Padre Melo, referido como “afeiçoado a seu negrinho”. Ora: nos tempos inquisitoriais a homossexualidade era chamada, com razão, de “vício dos clérigos”, tantos eram os padres envolvidos com as práticas homossexuais. 1/3 dos condenados pela Inquisição pelo pecado de sodomia eram padres. Muitos destes tendo como cúmplices exatamente seus escravos , crias da casa. Os retornos de Zumbi à casa de “seu” padre, depois de tornado quilombola, revelam uma relação profunda que superou as diferenças de raça, classe e idade. “Diz-me com quem andas, que direi quem és...” diz o ditado popular.

Quinta pista: dizem os estudiosos que Zumbi, ao ser preso e executado, a 20 de novembro de l695, foi degolado “sendo castrado e o pênis enfiado dentro da boca”. Macabra coincidência: o Grupo Gay da Bahia dispõe de um volumoso dossier de assassinato de homossexuais brasileiros, onde constam 5 gays, dois em Alagoas, o mesma região onde castraram Zumbi, que foram encontrados mortos exatamente como o chefe quilombola: com o pênis dentro da boca. Uma forma antiga e simbólica de humilhar os “falsos ao corpo” que por não terem usado adequadamente seu falo, tornaram-se merecedores de engoli-lo na hora da morte.

Enquanto não se provar o contrário, com o exigido rigor documental, estas cinco pistas permitem-nos afirmar que o grande Zumbi dos Palmares provavelmente era amante do mesmo sexo. Longe de desmerecer a valentia do maior líder negro do Novo Mundo, tais pistas aumentam-lhe a glória, pois ainda hoje, só cabras muito machos têm a coragem de assumir o amor por outro homem. Baseando nestes fortes indícios, o Movimento Homossexual Brasileiro participou orgulhoso e solidário, ao lado de todos os negros, mestiços e brancos anti-racistas, das comemorações do terceiro centenário da morte de Zumbi (1995) herói negro e provavelmente, depois de Alexandre Magno, o homossexual mais valente de toda História Universal.

Post Scriptum: Por causa deste artigo, publicado em diversos jornais na época daquelas celebrações em 1995 , os muros de minha casa foram pichados e os vidros de meu carro quebrados por alguém que considerou um ultraje um herói negro ser amante do mesmo sexo. Vários líderes negros me condenaram por estar "denegrindo" (sic) a imagem do líder quilombola, outros chegaram a dizer que homossexualismo era coisa de branco e que não existiam gays e lésbicas na África.


Felizmente fui apoiado por grande número de intelectuais e políticos, negros inclusive, que consideraram politicamente incorreta a reação machista e preconceituosa destes negros opondo-se à possibilidade de Zumbi ter sido gay e absolutamente condenável a violência cometida contra mim. Estas reações negativas comprovam o acerto da pesquisa da Data-Folha divulgado no primeiro capítulo deste livro: os negros e afro-descendentes são mais conservadores sexualmente do que o resto dos brasileiros. Conservadorismo ao menos na teoria - e na falação - pois na prática, tenho minhas dúvidas, pois a quantidade e soltura dos gays, lésbicas, travestis e bissexuais negros contradiz a sexofobia e homofobia manifestadas no tricentenário de Zumbi.

Texto de Luiz Mott
21 de nov. de 2014
Postado por UENES GOMES

APRENDA QUAIS AS DIFERENÇAS

Candomblé: Religião africana trazida ao Brasil pelos africanos durante o periodo escravocrata. Segue as leis da natureza, que tem como divindade os Orixás, estes que cuidam e equilibram as energias da nossa existência.

Umbanda: Religião brasileira criada através da mistura dos cultos africanos e do catolicismo. Segue os princípios da fraternidade e da caridade sob as leis da Natureza e do Plano Espiritual

Macumba: Apesar do termo ser amplamente utilizado para se referir pejorativamente às religiões de descendência africana, MACUMBA nada mis é do que uma árvore africana e também um instrumento musical utilizado em rituais afro-brasileiros.
10 de nov. de 2014
Postado por UENES GOMES

SOU NEGRO E DAÍ

Sou negro, e daí...
Texto Coletivo.
l - Nasci no Brasil, sou brasileiro
Das minhas origens nunca fugi
Sou negro, e daí...

ll -Nasci negro
Negro cresci
Vivo como negro
E daí...

lll –Negro eu sou
Tenho que assumir
Pois a minha cor
Não vai meu valor definir
Sou negro, e daí...

lV - De geração e geração
Fui gerado
Nos costumes dos negros
Fui educado
Sou negro, e daí...

V – Um dia cansei de humilhação
Fugi correndo pro mato
Sem rumo, sem direção
Só porque negro nasci
Sou negro e daí...

Vl - De ser negro
Nunca vou desistir
Pois está na minha aparência
Os lábios grossos e cabelo pixaim
Sou negro, e daí...

Vl – Gosto de andar descalço
Tenho a pele escura
Cabelo enrolado
Sou negro, e daí...

Vll- Tenho nariz amassado
Olhos da cor de fogo
Cabelo tuim
Sou negro, e daí...

Vlll- Tenho características de negro
Isso não vai mudar
O sangue africano corre em mim
Não há o que negar
Sou negro, e daí...

X- Gosto de tomar banho de rio
De músicas e danças
Como fank,capoeira,axé e samba.
Todas de origem africana
Sou negro, e daí...

Xl- Sou negro e daí...
Sempre fui assim
Diga não ao racismo
Fale alto prá todo mundo ouvir
Sou negro, e daí...

Xll- Todos aqui presentes
Seja branco ou preto
Amem uns aos outros
Amem sem preconceito
Sou negro, e daí...


Autoria da Professora: Maria da Glória Silva e 5º Ano B -2013.

INDENIZAÇÃO AOS AFRICANOS

Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

QUEM SOU E O QUE SOU? A NOSSA IDENTIDADE

1. Segundo Imperador do Brasil. Grande precursor da 
formação identitária deste país. Patrono do IHGB.
Não difícil encontramo-nos perdidos quanto a nossa identidade. De onde viemos, quem somos e para onde vamos são indagações que norteiam o pensamento contemporâneo para situar a nós mesmos no gentílico Brasileiro. É uma temática recorrente nas rodas intelectuais, nas academias, universidades e onde haja pessoas falando a língua brasileira. Todos preocupados consigo mesmos: Quem são?!. Mas esta não é uma preocupação exclusivamente do século 21, deste ano, não! Discutir nossas origens, nosso papel social, nosso comportamento, é uma maneira de nos significar e nos reconhecer, e é uma prática desde os primeiros anos deste país.
No século XIX, o Império lutava para manter sua unidade, porque corria-se o risco da cisão e toda a América Portuguesa se desfragmentar como aconteceu na América Espanhola[1]; Contudo Portugal conseguira manter seu território unificado. Logo o Projeto Brasil estava começando a tomar forma e consequentemente o projeto de nação. O IHGB vai promover um concurso onde Francisco Adolfo Varnhagen ganha o prêmio e escreve a primeira obra no brasil sobre o nosso país. No entanto é no segundo reinado que as formas de nação, de estado vão se consolidando. A interpretação do país é uma encomenda do Imperador que mesmo sabendo de todos os problemas que o país enfrentava gostaria de projetar a ideia de uma nação harmônica e que fosse uma narrativa que agradasse a Europa sobretudo. Havia sido excluído desse primeiro texto tudo que fosse negativo ao desenvolvimento intelectual, então nascia uma nação que não tinha negros, que não tinha índios, pois esses sujeitos eram sinais de regresso de incivilidade, e o Varnhagen é mais contundente em afirmar que o nativo é mais tolerável que o negro, pois este foi introduzido depois e representa o atraso do país. Nós vamos ver uma gama de pensadores, estrangeiros escrevendo sobre a formação do Brasil de forma que aniquilaram por completo sua essência. O Brasil é um país sem problemas.
A imagem do Brasil que se queria projetar no mundo era de uma nação branca e civilizada, todo estereotipado ao modo europeu de ser. Isto não mudou muito ao longo do século, tendo se intensificado nos anos posteriores a proclamação da República com os alargamentos das cidades, projetos de imigração... Monta-se uma conjuntura de ideias para reforçar esse branqueamento do país e esconder a verdadeira cara do imenso território brasileiro.
No século XX, a luta incansável pela procura da identidade do país tem retomada, teorias raciais, a construção do mito da democracia racial sustentada por Gilberto Freyre e criticada duramente por Darcy Ribeiro[2].
Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado e mais uma leva de estudiosos ávidos para dar a resposta que todos queriam saber, são combustíveis para responder a célebre pergunta: O que é o Brasil?
Neste relatório sobre o trabalho audiovisual Intérpretes do Brasil, produzido pela Tv Cultura, que reúne vários estudiosos abordando o conceito de identidade pretende-se debater a temática identitária do brasileiro.  Tendo como análise, Darcy Ribeiro a proposta desta narrativa.
Darcy Ribeiro, antropólogo, sociólogo, historiador, etnólogo, foi um estudioso do século XX que procurou sintetizar o que era o país onde ele vivia. Nascido em Minas não negou sua natureza, orgulhoso de sua terra dedicou toda sua vida aos estudos da nossa nação. Enfocando sempre no nativo desenvolveu trabalhos brilhantes e de grande importância para o conhecimento científico nacional. Sendo responsável mais tarde de criar uma universidade a UNB, fruto de conflitos de ideias dentro da Universidade de São Paulo.
A compreensão do país pelo nosso antropólogo se dá a partir de onde ele está. Tomando Gilberto Freyre como exemplo, outro estudioso do Brasil, a visão do analista sobre a casa grande, estando ele, lá, sempre será passivo, não logrando ao cativo a real condição social do indivíduo; Escrever sobre este país usando como fonte olhares exógenos, jamais poderia despir o país que Darcy tanto amou de tal forma que conseguisse entende-lo e por isto é importante notar que Darcy vai na fonte, colhe de lá o embrião que germinará em diversas obras, sempre na perspectiva da alteridade. Mesmo escrevendo sobre o Brasil ele constatou que o que fizera não era tão relevante, era apenas mais uma forma de reafirmar o que o “mundo civilizado” pensava sobre a sociedade ocidental. Ser etnocêntrico pareceu ser o problema dele, olhar a cultura de forma hierárquica. Como se existisse uma cultura superior a outra. E é Franz Boas que traz uma discussão válida sobre isto, ele diz “frequentemente me pergunto que vantagem nossa “boa sociedade” possui sobre aquela dos “selvagens” e descubro, quanto mais vejo de seus costumes, que não temos o direito de olhá-los de cima para baixo”
A construção cultural do Brasil resulta da fusão de três culturas, a europeia, a indígena e a africana. E Darcy reconhece que se colocar o país no centro do mundo, dando real importância a ele, poderemos nos conhecer melhor. Partindo do estranhamento de seus próprios estudos sentiu necessidades de inserir na historiografia novos elementos, sui generis d’um povo sincrético como nós. A apresentação de uma teoria própria nos daria aporte para nos estudar. O seu livro A América e a Civilização trata das diferenças e os certames da nossa população inerente aos da América do Norte. Se não demos certo por quê, e eles se não tinham nada para crescer como chegaram a ser a maior potência econômica do planeta. De sobremaneira é neste livro que ele trata da transfiguração da cultura, posto que é a junção dessas três culturas e dão luz a uma que não nem portuguesa, nem europeia nem africana, é brasileira.
O saudoso professor, criador de teorias e estudioso dos indígenas nos deixa a reflexão sobre o que somos. Se somos realmente uma nação, por que vivemos num país onde as regiões mais parecem autônomas? Há no Brasil uma realidade dialética, onde não ocorreu a desfragmentação física, mas se formos demarcar utilizando os conceitos culturais, há no país vários Brasis. 
Uenes Gomes Barbosa.


1 No século XIX o Brasil era um Império entre repúblicas. Os ventos liberais da Independência das Colônias do Norte e os levantes desencadeados a partir de 1789, influenciaram demais o pensamento da américa.
[2] Brasil Colonial. Luiz Roberto Lopes.

MINISTRA DA CULTURA FALA DA IMPORTÂNCIA EM ESTUDAR A CULTURA AFRO.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participou da abertura do "I Seminário Internacional Instituições nefandas: a agonia da escravidão e da servidão nos Estados Unidos, Rússia e Brasil", nesta terça-feira (20), no Rio de Janeiro. O evento é promovido pela Fundação Casa Rui Barbosa (FCRB), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). 
A ministra Marta Suplicy destacou a importância do evento que reúne 20 pesquisadores nacionais e estrangeiros e tem como objetivo examinar e comparar os processos de escravidão no Brasil e nos Estados Unidos e de servidão na Rússia.

"Nesse formato que foi pensado, o mais instigante e inovador é a possibilidade de comparação entre o que foi a escravidão no Brasil e a servidão na Rússia e o que isso acarretou. São duas nações gigantescas, de territórios continentais e que hoje são parceiras nos BRICS e, ao mesmo tempo, que tiveram encaminhamentos diferentes, mas com muita semelhança", explicou a ministra.
Para o historiador e embaixador Alberto Costa e Silva, que também participou da cerimônia de abertura, o seminário "é um campo aberto com extremas possibilidades de investigação do início do comparativismo, o qual esse seminário dá um dos limites de apreciação no Brasil e estímulo a comparar as nossas escravidões com as do mundo".
MUSEU AFRO
Marta Suplicy destacou que o seminário é um reflexo da constatação de Joaquim Nabuco de que a escravidão permanecerá por muito tempo como uma característica nacional do Brasil. "Ele deixou uma reflexão muito pesada e verdadeira, o que gerou também a ideia do Museu Afro, em Brasília. Somos 52% de brasileiros que se autodeclaram negros, sabemos que somos muito mais enquanto nação: a nossa raiz é negra. O espaço também permitirá resgatar a auto-estima do processo civilizatório que o Brasil deve aos negros", declarou a ministra.
         O museu, que deverá ser instalado em Brasília, será um espaço muito moderno e um Centro de Referência da Cultura Negra onde o visitante poderá, através do uso de interatividade e tecnologia de ponta, conhecer a trajetória dos povos afrodescendentes no Brasil.
         O seminário acontece até a próxima quinta-feira (22) e tem entrada franca. Os interessados podem realizar as inscrições nos dias do evento, das 9h às 10h. Os participantes receberão certificados. As palestras e debates terão tradução simultânea inglês/português e português/inglês e transmissão ao vivo pela internet.
Fonte: MinC.

VÍDEO AULA SOBRE A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA


 
As informações sobre este vídeo são da página da UNIVESP no Youtube.
Sidney Chalhoub historiador e professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.
Nesta entrevista, ele fala sobre a escravidão no Brasil, na segunda metade do século XIX. Sidney explica, com ricos exemplos, como era a vida dos escravos africanos no Brasil. Fala que algumas décadas antes da abolição da escravatura, em 1888, quase metade da população africana no país já estava livre ou liberta. Libertos eram ex-escravos que tinham conseguido sua carta de alforria. Livres eram os filhos de escravas (ventre) libertas.Sidney fala também sobre a situação em que estava essa massa de cidadãos após a liberdade, com poucos, ou nenhum, direito político, pouca renda, etc...Sidney também entra na questão da educação dos escravos e libertos e mostra que não havia interesse do Brasil em alfabetizar essas pessoas.



APÓS A ABOLIÇÃO A ICONOGRAFIA MOSTRA O COTIDIANO DE UMA HISTÓRIA QUASE ESQUECIDA

Pesquisa inovadora mostra como crianças negras foram retratadas no período pós-abolição dos escravos
Uma pesquisa desenvolvida na UFSCar mostra como crianças negras foram retratadas no período pós-abolição dos escravos. Com imagens produzidas entre os anos de 1880 e 1940, o trabalho inovador, tanto no Brasil quanto no exterior, reúne fotos da vida cotidiana e escolar de uma infância quase esquecida pela história.
Foram pesquisados museus e acervos históricos do Brasil, em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Paraná, São Carlos e Dourados, e também no exterior, em Paris e Portugal. Anete Abramowicz, docente do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas (DTPP) da UFSCar e responsável pela pesquisa “Representações da Criança e da Infância na iconografia brasileira dos anos 1880-1940”, conta que houve grandes dificuldades para reunir as imagens, já que fotos de crianças negras no século XIX e início do século XX, são bem raras, apesar de sua importância social. “As crianças ocupam um lugar aparentemente periférico na história em geral e isso se reflete na dificuldade em encontrar imagens delas e sobre elas”, relata a professora.
Um dos principais sinais de uma infância negra perceptíveis nas imagens recolhidas e em algumas fotografias do século XIX é a experiência ligada ao trabalho e à escravidão. Ainda que não tenham idade para realizar trabalhos, crianças pequenas, por exemplo, aparecem às costas de suas mães para que estas tenham as mãos livres para os afazeres. As imagens retratam também a proximidade das crianças com os adultos, especialmente em relação ao modo como se vestem que não se difere para cada faixa etária. O papel mediador dos pequenos também é reconhecido, já que durante a escravidão, por exemplo, muitas crianças negras realizavam a mediação entre sua família e a sociedade, ajudando a compreender o Português, e recolhendo objetos que conseguiam andando pela cidade.
Imagens de crianças brincando ou com brinquedos são as mais raras. Os poucos sinais de infância encontrados, mesmo com a pequena quantidade e a dificuldade de localizar as fotografias, levaram Anete e sua equipe de pesquisadores a ponderar sobre a invisibilidade da considerável população de crianças, sobretudo, negras, daquela época. “Após a abolição da escravatura, a parte da população composta de pretos e pardos era cerca de 56% para 44% de brancos, e mesmo assim pessoas negras, em especial a criança, se tornaram praticamente invisíveis na história”, afirma a coordenadora da pesquisa.
A invisibilidade, segundo a professora, se deve ao motivo de que as crianças não escrevem a história por si só, e a ênfase que recai sobre elas é a de provisão, cuidado, tutela e nada de representação. “Não há espaços e experiências sociais de representação das crianças, ou seja, onde elas possam falar por si só e serem escutadas. Suas falas são consideradas infantis, em uma perspectiva negativa, e na hierárquica ordem discursiva da qual fazemos parte, as crianças estão num patamar inferior, ao lado dos loucos, dos miseráveis”, afirma Anete.
A pesquisa, que deixa um registro de crianças que raramente foram retratadas, também reconhece a iconografia como um documento legítimo na contribuição para a construção da história da criança nesse período. Para Anete Abramowicz, o resultado do trabalho, que retrata vidas quase esquecidas, é o que tem de mais importante nas pesquisas nas áreas das ciências humanas: “Captar vidas e pontos de vistas que escapam de uma certa historiografia, no sentido de contar a historia da perspectiva dos invisíveis, dos infames, daqueles cujas vozes não ressoam”.

[Pedimos desculpas, mas as imagens disponíveis neste sítio foram removidas do site que estavam hospedadas, logo o blog perde o link que mantém a imagem disponível]

As imagens reunidas no projeto estão disponíveis no site do Núcleo de Imagens de Crianças e Infâncias do Grupo de Pesquisa “Estudos sobre a criança, a infância e a educação infantil: políticas e práticas da diferença”, criado em 1998 na UFSCar. O endereço é owww.criancasinfancias.ufscar.br.
FONTE: Portal Áfricas

Atualizado em 30/01/14

VÍDEO DESTAQUE

A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE. O vídeo é uma produção do site Café História e a Café História TV.


LEITORES DO BLOG

TEXTOS MAIS LIDOS

Tecnologia do Blogger.

- Direitos Reservados a Silva. U.G.P.B, - Protegido pela Lei Nº 9.610/98. - © ONTEM & HOJE - Metrominimalist - Escrito por Uenes Gomes P. Barbosa Silva - Template adaptado por SILVA. U.G.P.B. -