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CULTURA LETRADA E CULTURA ORAL NO RIO DE JANEIRO.


Da edição de fevereiro, da Revista de História da Biblioteca Nacional, excelente indicação do Prf. Fabiano Vilaça dos Santos (UFRJ). Cultura Letrada e Cultura oral no Rio de Janeiro dos vice-reis, Marta Beatriz Nizza da Silva. Aqui transcrevo o texto da página 92 da edição supramencionada. Alguns dos maiores problemas enfrentados pelos vice-reis do Brasil na segunda metade do século 18 foram as disputas de fronteira entre portugueses e espanhóis no sul, as dificuldades para disciplinar e prover as tropas e a necessidade de promover novas culturas agrícolas e o comércio. Sobre estas questões há um sem-número de documentos em arquivos brasileiros e estrangeiros, outros tantos publicados, além de trabalhos acadêmicos. Mas os assuntos nos quais Maria Beatriz Nizza da Silva se detém neste livro são de outra natureza. Dedicada à história cultural desde os anos 70, a autora desenvolve, de 1770 até a chegada da corte em 1808, a articulação entre cultura letrada e cultura oral no Rio de Janeiro. 

Com uma narrativa ágil e bem encadeada, construída a partir de uma diversificada pesquisa documental em Portugal e no Brasil, a historiadora destaca, por exemplo, a atuação do marquês do Lavradio e de Luiz de Vasconcelos e Souza no período. Seguindo diretrizes de ministros ilustrados, como Martinho de Melo e Castro e D. Rodrigo de Souza Coutinho, os vice-reis conjugaram a dupla empreitada de defender os interesses portugueses no sul e incentivar o progresso científico na capital do Estado do Brasil. Esta é uma das principais chaves para entender Cultura letrada e cultura oral no Rio de Janeiro dos vice-reis. 
Outra possibilidade é percorrer o caminho pavimentado pela autora; espécie de pano de fundo para o entendimento da produção de uma cultura letrada nos moldes da ilustração portuguesa: a reforma da Universidade de Coimbra, em 1772; a criação de órgãos de censura; e o trânsito de gente natural do Rio de Janeiro por Instituições de Ensino europeias, dentre outros aspectos.
A ausência de imprensa e de universidade na América portuguesa e o crivo da censura metropolitana não impediram, no espaço colonial, a assimilação de uma cultura letrada por meio de livros e impressos diversos que aqui circulavam. Uns transmitiam o pragmatismo da Coroa para instruir os habitantes, por intermédio dos governantes, sobre o aproveitamento das riquezas naturais da Colônia. Outros, considerados perigosos por seu conteúdo, especialmente sobre religião e política, foram combatidos, como os jornais que noticiavam a Revolução Francesa e tiravam o sono do conde de Resende. Apesar do zelo das autoridades, a entrada desses papéis pelo porto do Rio, de grande efervescência na segunda metade do século 18, foi inevitável. Esses escritos, trazidos  por estudantes, burocratas, mercadores, alimentavam conversas privadas e em lugares públicos (as boticas, os mercados), espaços de sociabilidade onde uma população, em grande parte iletrada, consumia os textos por meio de leituras coletivas. Críticas ao rei, às leis da monarquia e ao clero exaltavam os ânimos e animavam a parolagem dos colonos, constituindo também um traço importante da cultura ilustrada luso-brasileira. 

UNESP, 351 PÁGINAS <<http://www.estantevirtual.com.br/q/cultura-letrada-e-cultura-oral-no-rio-de-janeiro-dos-vice-reis>>

MODOS DE HOMEM E MODAS DE MULHER

Creio que todos os estudantes do curso de História conhecem a revista especializada em História do Brasil, mensalmente editada pela Fundação Biblioteca Nacional. Com vasto acervo bibliográfico a instituição reúne artigos de diversos historiadores, especializados em diversas áreas da historiografia brasileira e imprime no mais completo periódico sobre nossa história, nos dando a possibilidade de conhecermos ainda mais sobre nosso país. Acredito também que quando lemos a revista, nossa visão sobre determinados temas se expandem com a possibilidade de conhecermos mais sobre o assunto tratado com a indicação do autor do artigo livros chave para aprofundamento no assunto; livros que talvez serviram para o historiador aprimorar sua produção. No entanto uma das seções mais visitadas é a de livros, particularmente, gosto de visita-lo pelo fato de sempre estarem divulgando novas edições, teses de doutorados "enlivrados" e posto ao domínio de todos os leitores, graduados ou não, nos atualizando do que há de mais novo no mercado historiobibliográfico. Disse a princípio que os estudantes do curso de história conhecem a revista, mas vale ressaltar e enfatizar que, a revista está presente nas escolas de ensino fundamental e médio, não privando o público não especializado de se armarem com uma excelente bagagem sobre história nacional. Como o propósito é divulgar os livros, tomo a liberdade de aqui reproduzir uma das divulgações que mensalmente nos deixam a par do que está sendo lançado, sugestão de Rodrigo Elias (pesquisador da Revista). Modos de Homem e Modas de Mulher de Gilberto Freyre, editado pela Global Editora, 334 páginas. Gilberto Freyre era pioneiro. Valorizou as heranças africanas na cultura, exaltou a mistura entre brancos, negros e indígenas, usou fontes ignoradas por historiadores, como receitas culinárias, não hesitou em usar uma linguagem próxima da literatura em estudos sobre a formação da sociedade brasileira. Quase tudo o que fez, entretanto, acabou eclipsado por conta de opções políticas conservadoras, uma injustiça com um autor imaginativo, inteligente e refinado. Modos de homem e modas de mulher foi publicado em 1987, ano da morte do autor, e traz todos os ingredientes que marcaram sua obra. Trata de um tema pioneiro entre nós, a relação dos brasileiros e das brasileiras do presente e do passado com o vestuário, suas maneiras de falar, de agir, de se mostrarem diferentes em relação ao outro sexo, às outras classes sociais, aos outros gostos - tudo marcado por uma prosa meio amorenada, que consegue dialogar com as correntes teóricas internacionais a partir de um ponto de vista brasileiro e pernambucano. Freyre escreveu este livro numa época de grandes transformações culturais no Brasil, de grandes influências da cultura de massa norte-americana, com uma estética algo colorida, fragmentada e andrógina - tempo de Margaret Thatcherm do videoclipe, de Jackson, como lembra a apresentação de Del Priore. Tempo, segundo Freyre, da "anfíbia Roberta Close", de "ancas simplesmente grandes", muito popular entre os homens brasileiros daquela década - para o autor, por destoar do padrão flapper, a beleza magra, provando que entre nós vigorava o antigo gosto árabe pela mulher carnosa. Esta segunda edição do belíssimo livrinho de Gilberto Freyre é uma prova de que um autor clássico jamais cessa de propor caminhos. Mesmo tendo estado fora de moda. 

Esta sinopse econtra-se na Revista nº 52, Ano 5 de janeiro de 2010.
31 de jan. de 2014
Postado por UENES GOMES

HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO É APENAS UMA PEÇA NO QUEBRA-CABEÇA DA HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA

Um país continental como este, embevecido de constantes revoltas e batalhas e uma revolução, tem um grande problema atualmente na sua historiografia, a crise de identidade que tem mobilizado vários historiadores nesta temática buscando dar um sentido nacional aos brasileiros, sobretudo quando tratamos sobre o Brasil emancipado politicamente de Portugal. Em 2011 começou a ser publicado uma série de livros sobre o assunto e neles o que se procura é entender "o surgimento do Brasil como nação independente, tendo como pano de fundo a trajetória paralela a de outros países da América Latina, é contado com riqueza de detalhes na obra, que conta com nomes de peso como Alberto da Costa e Silva, José Murilo de Carvalho, Ângela de Castro Gomes, Daniel Aarão Reis, Boris Kossoy (coordenadores dos volumes da coleção) e Jorge Gelman (diretor da coleção na Argentina). No lançamento, houve sessão de autógrafos com o primeiro dos seis volumes brasileiros intitulado "Crise colonial e independência – 1808-1830". Mas o projeto é bem maior e globaliza a história do Brasil no cenário latino-americano, ou melhor, é esta coleção faz parte de um conjunto de outros livros editados noutros países da américa latina que visam mostrar essas nações na história contemporânea. Ademais o título do projeto é América Latina na História Contemporânea.
 
Pablo Jiménez Burillo, diretor da Fundação MAPFRE fez uma observação que merece ser copiada na íntegra para completar nossa postagem, sobre a coleção ele diz: “Para oferecer esta aproximação da história brasileira com a da América Latina, em seu conjunto, é necessário adotar um olhar abrangente para suas múltiplas facetas a partir de perspectivas econômicas, políticas, culturais e sociais. E requer, ao mesmo tempo, conjugá-las com a história de outros países que tenham influenciado na história das nações americanas e que tenham recebido uma forte influência destas, seja em seu próprio continente ou do outro lado do Atlântico”, a saber que estes livros que estão sendo lançados no Brasil circularão noutros países e assim os livros editados nas outras nacionalidades serão vendidos aqui também para que haja o concreto propósito do projeto.
 
Mais informações sobre a coleção (*)
A coleção é composta por seis volumes: “Crise colonial e independência: 1808-1830” (lançado agora); “A construção nacional: 1830-1889” (com data de publicação prevista para fevereiro de 2012); “A abertura para o mundo: 1889-1930” (em junho de 2012); “Olhando para dentro: 1930-1960” (em outubro de 2012); “A busca da democracia: 1960-2010” (em março de 2013); e “Um olhar sobre o Brasil. A fotografia na construção da imagem da nação: 1833-2003” (em junho de 2013).
 
* Creio que houve um problema com as emissões dos volumes, pois em 2013 foi publicado o quarto volume, estando para este ano os últimos, os quais são esperados com ansiedade.
FOTO: Fundación MAPFRE
 
 
 
14 de jan. de 2014
Postado por UENES GOMES

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A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE. O vídeo é uma produção do site Café História e a Café História TV.


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