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HISTÓRIA PELO PALADAR

Se é de Pernambuco conhece o bolo de rolo, o Souza Leão, as iguarias todas que fazem parte da cozinha nordestina. Muita comida contando história, prato cheio para estudantes da história da alimentação nessa região do Brasil. A mata norte de Pernambuco se revela como uma grande divulgadora de uma área pouco explorada, a cozinha pernambucana e suas faces. 

FESTIVAL DE GASTRONOMIA DA MATA NORTE
O “Festival de Gastronomia da Mata Norte” é um evento inédito na região da mata norte do Estado de Pernambuco, a acontecer no Museu e Ponto de Cultura Poço Comprido, localizado no Engenho Poço Comprido, município de Vicência, PE, durante três dias de evento, envolvendo a culinária desta região e seus chefs, Cozinheiros e proprietários de restaurantes, promovendo atividades com foco para a tradicional culinária regional e a qualidade das mesmas. O festival contemplará mostra gastronômica, degustação,palestras, minicursos, aulas shows, apresentações culturais e concurso de cozinheiro, onde serão premiados os melhores pratos regionais de acordo com a programação do evento. Os palestrantes e monitores são Professores, Chefs das faculdades e universidades de gastronomia da Cidade do Recife. Haverão apresentações culturais durante os dias do evento, com grupos da Cidade de Vicência: Mamulengo Flor do Jasmim, Cacá Violeiro, Tropeiros Cia de Dança, Capoeira Raízes de Angola e Maracatu Estrela Formosa. Para os minicursos e palestras haverá previamente inscrições através do Site “festivaldegastronomiadamatanorte.webnode.com”, acompanhando as atividades do evento. Haverão stands de exposição e comercailização da gastronomia a base da banana, cana-­de-­açúcar, macaxeira, uva, milho e demais ingredientes da culinária pernambucana. Exibições de filmes que retrata a cultura do açúcar e os engenhos em moagem na região da mata pernambucana nos anos 60. O festival tem o papel de sensibilizar os trabalhadores da comedoria regional da Mata Norte deste Estado, incentivando­-os a ampliarem seus conhecimentos, melhorarem sua técnica e estrutura, valorizando a rica culinária herdada dos nossos antepassados e que saboreia o nosso dia-a-­dia, podendo gerar renda a população local e regional.
Joana D’Arc Ribeiro
 Coordenação Festival de Gastronomia da Mata Norte



ISSO AQUI É UMA VERDADEIRA ALIANÇA!


Por Uenes Gomes Barbosa

Crendo que os municípios brasileiros, sobretudo os de Pernambuco tem muito a nos informar, damos sequencia aos artigos historicizando nosso entorno, compreendendo a importância de sabermos sobre nosso lugar. Aliança, limítrofe com Vicência, é um município que transborda cultura. Ali nasceu o maracatu, berço de manifestações culturais e de grande nome da cultura, mestre Salu, os aliancenses assim como os demais pernambucanos, buscam significados para sua existência, sua identidade. Escrevendo a partir de um município relativamente distante, precisamos nos reportar a dados já escritos e pouco divulgados, porém acessíveis em livros especializados nessa veia historiográfica. 

Igreja Matriz. Nossa Senhora das Dores
Foto; Petrônio Barros - Wikimedia Commons
O que identifica aquele povo, seu nome, decorre da constituição de três parentes, irmãos de uma família que por serem unidas fundaram uma capelinha de taipa. A construção intensificou o desenvolvimento da localidade mas como é de praxe não cita os primórdios dessa localidade, desprezando a contribuição dos indígenas e enfatizando ação ímpar da Igreja como precursora e construtora do modus vivendi da região. Inclusive pela fraternidade, valor recorrente no povoado, o Frei Caetano batizou a paragem dizendo "isso aqui é uma verdadeira aliança!" num de seus pronunciamentos. Esse relato inicial de como se constitui o povoado e o nome de batismo são preservado naquela região até o presente, tendo respeito à tradição oral. 

Na sua constituição legal, as leis outorgadas na época cria o distrito de Aliança pela Lei Municipal nº 5, de 30/11/1892. Em 1909 o distrito foi elevado a Vila. Quando em 1928 criou-se o município de Aliança o território foi desmembrado de Goiana, uma parte e de Nazaré, ambas constituindo um território que compreende cerca de 272,728 km². No momento da criação e regulamentação da nova unidade municipal Aliança contava com os seguintes distritos: Sede, Lagoa Seca (Upatininga) - que figura com esse nome no quadro administrativo municipal na década de 30 -, Nossa Senhora do Ó (Tupaóca) e Lapa. Na década seguinte, vamos encontrar Aliança disposta da seguinte forma: Sede, Lapa,  Tupaóca e Upatininga, portanto quatro distritos, esta configuração ficaria fixada pelo Decreto-lei estadual nº 235 de 9/12/38, para vigorar de 1939 a 1943; O período de 1944 a 1948 é marcado pela alteração do nome de Lapa para Macujê em Decreto-lei nº 952 de 31/12/1943. A sua comarca foi instalada em 1938 e num dado momento comutou com a de Vicência que havia sido desmembrada de Nazaré da Mata. Dados da década de 1950 apontavam a educação acessível apenas à 12,9% daquela população. Naquele momento duas bibliotecas funcionavam. Tinha um hotel, uma pensão e um cinema que comportava 180 lugares. Veja algumas imagens da cidade nas décadas de 30 a 50. 
Vista Parcial da Feira
Rua Domingos Braga 
Praça Dr. Alfredo Pessoa
Vista Parcial da Cidade 
Grupo Escola Prof. Joaquim Lira
Ambulatório Major Belarmino Pessoa
Serviu de consulta depoimento de Manoel Ribeiro Duarte; Denise Barros transcrito da Enciclopédia dos Municípios brasileiros, Vol XVII; IBGE, 1958.

VICÊNCIA NOS TRILHOS DA USINA BARRA

FOTO. https://www.facebook.com/EngenhosDeMinhaCidade
Usina Barra e seu complexo industrial. Nota-se na frente da estrutura
uma estrada de ferro cortando o parque ao município
Por Uenes Gomes Barbosa

Ainda no Império, precisamento no governo de Pedro II, a expansão das linhas férreas no sul do país inaugurava a revolução industrial no Brasil - tardia. Nos anos seguintes todas as regiões começaram a se integrar através das estradas de ferro (logrando êxito ao empreendimento); Partindo das capitais para os interiores do estado afim de ajudar a escoar a produção agrícola e também diminuir os dias de viagem de passageiros que outrora passavam semanas sob lombos de burros, carruagens e nesta região os carros-de-boi, por vezes em situações precárias, os trens e sua rapidez vêm dar um conforto a mais aos habitantes. Em Pernambuco o Interior se ligava ao Recife pelos ramais que integravam os trechos mais inóspitos daquele momento. As importantes cidades desse estado tinham sua conexão com a capital através das linhas férreas que adentravam mata adentro e desbravava locais antes impossíveis de chegar com o objetivo de trazer a "modernidade" e consolidar um estado integrado às intenções nacionais. O destaque maior para esse período de desenvolvimento durante o Império não vai para Pedro II e sim Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá grande industrial do Brasil Império e responsável por colocar o Brasil nos trilhos.   

Goiana, Timbaúba, Aliança, Nazaré, Carpina, Limoeiro, Lagoa do Carro... São cidades que ostentam resquícios desse período das locomotivas; Localizações visíveis do percurso dos trens que transportavam gente a toda a sorte são comuns nos dias atuais e que são verificáveis. 

No entanto cidades importantes no período da expansão dos trilhos pelas cidades do interior de pernambuco não foram contempladas, muito embora projetos disto havia documentado como é o caso de Macaparana. Mas Vicência, próspera, com Usinas e Engenhos de açúcar em pleno vapor não tivera o luxo de ter uma estação ferroviária nos seus arredores Por uma série de fatores. Contudo a Usina Barra constrói uma linha férrea que liga a cidade ao parque industrial açucareiro. O objetivo era meramente comercial, pois o transporte da cana pelo meio mecanizado, isso, usando os trilhos era mais eficiente e aumentava a eficiência na produção do açúcar. Se as Usinas representavam a modernidade manter burros e cavalos como transporte do produto era retroceder no processo revolucionário. Manuel Machado de Souza e Gustavo Costa são os informadores dessa partícula curiosa de Vicência que consegue sua autonomia ainda no século XIX. 

VÍDEO DESTAQUE

A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE. O vídeo é uma produção do site Café História e a Café História TV.


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